sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Porque Consciência Negra?



Todo dia 20 de novembro o debate surge novamente: porque Consciência Negra? Porque não um dia para a Consciência Branca?

O brasileiro, visto como um povo que adora um feriado, questiona a existência do feriado de 20 de novembro, nas Cidades e Estados onde ele existe... Justamente o 20 de Novembro, o Dia da Consciência Negra. Aqui em Campinas, onde hoje é feriado, por uma Lei do então Vereador Sebastião Arcanjo do PT (o Tiãozinho), o comércio não para, como é de se esperar do comércio, um dos setores do mercado onde as piores relações de trabalho acontecem, onde os direitos trabalhistas são mais desrespeitados. O que é impressionante é ver que muitos explorados, trabalhadores do Comércio, "alienados" pelo sistema, se colocam como porta-vozes de seus patrões e também são contra o feriado - embora gostem de todos os outros...

Precisamos entender, em primeiro lugar, que o 20 de Novembro é o dia da imortalidade de Zumbi, o líder de Palmares, que a aproximadamente 309 anos foi assassinado, e que é um herói nacional que deve ser reconhecido por todos os brasileiros com orgulho, por seu exemplo de luta pela igualdade.

Por outro lado, mesmo após mais de 1 século da abolição, as estatísticas mostram que os negros são minoria absoluta nas Universidades, ganham os piores salários, são a maioria entre os desempregados, são as maiores vítimas da violência policial (mesmo aqueles que não cometeram crimes...), entre outros dados. A liberdade formal não significou a conquista da cidadania, pois o negro continuou nas fazendas, em condições iguais ou piores, ou foi parar nos cortiços e depois nas favelas, sem que o Estado intercedece por eles.

Durante muito tempo, os negros, por questões de baixa auto-estima (por não se reconhecerem nos livros didáticos, na TV, nos cargos de direção e outros espaços de poder) ou de desconhecimento da sua própria História (com H maiúsculo mesmo...), pela força da ideologia racista de uma sociedade que discrimina sem assumir seu preconceito, se auto-atribuiu a culpa pelas mazelas que vive. O recado do movimento negro à sociedade, quando fala de "Consciência Negra", é o de que os negros devem conhecer sua própria História, para que, livres de manipulações ideológicas, possam construir uma sociedade mais justa, brigando pelo seu espaço. Não se trata de racismo ao contrário, como muitos teimam em dizer. O racismo não foi criado pelos negros, muito pelo contrário, somos a maior vítima dele. Nossa intenção é justamente extinguir o racismo. Para realizar esta tarefa, precisamos viver numa sociedade mais democrática e que não tenha medo de repensar suas bases, inclusive revendo privilégios, para que eles não mais existam...

O Dia da Consciência Negra é um dia de reflexão sobre a atual situação do negro na sociedade brasileira. Um dia de apontar desigualdades, injustiças e contradições. Nem todos vão gostar deste processo - principalmente os privilegiados por este sistema excludente, ainda que não admitam.

Hoje eu vi, num programa da TV da Cultura, uma das apresentadoras (branca, assim como os outros dois apresentadores...), dizer que conversou com as "meninas" do camarim (provavelmente pessoas da limpeza ou da maquiagem...) e que as mesmas afirmaram que são favoráveis a comemorar Zumbi como herói nacional, mas que não concordam com a idéia de Consciência Negra. Em seguida, a apresentadora diz que concorda com elas... Que irônico: os apresentadores usaram os negros que trabalham na emissora para legitimar suas idéias, equivocadas na minha opinião. Justamente aqueles que estão atrás das câmeras e somente apareceram para legitimar a visão daqueles que estão na frente das câmeras, monopolizando a palavra. Os negros, por sua vez, mostraram que desconhecem sua História, ao servir de bucha de canhão para o argumento dos apresentadores. É justamente por isso que queremos a Consciência Negra: para que os negros se coloquem diante dos brancos em condição de lutarem por seu espaço (em oportunidades iguais e democráticas), apontando a contradição de quem está a mais de 500 anos "atrás" dos brancos, escondidos nos "camarins" da vida. Queremos estar na frente das câmeras, dividindo espaço com os brancos, em condições iguais, escrevendo nossa própria História, através de nosso protagonismo. É por isso que queremos a Consciência Negra. E é por isso que muitos temem esta condição: à eles interessa apenas o negro subserviente, alienado, submisso e conformado... Um inconsciente.

Não queremos oprimir ninguém. Queremos, pelo contrário, superar a nossa posição de oprimidos. Este processo se dará através de algum constrangimento, necessário neste momento. Todos aqueles que abominam a opressão, independente se negros ou brancos, que nos acompanhem.

Viva Zumbi! Viva a Consciência Negra!

domingo, 15 de novembro de 2009

Mc Ren: RenIncarnated



Falei e está aí... "RenIncarnated" vêm com 10 faixas onde Ren desfila seu estilo inconfundível. Têm uns caras que fazem parte de nossa história no rap de uma forma tão forte que só o fato de poder ouvir um trampo novo do cara já é de arrepiar. O Ren é um cara desses. Pra mim, um dos maiores vocalistas do rap em todos os tempos...

A faixa título - que você pode conferir abaixo - lembra um pouco as antigas do vilão de preto e abre o CD. "Knock'em Out The Box", a segunda, é um G-Funk bem louco... Aliás, o álbum inteiro é recheado de G-Funk's. "Villainist Tales", a 6ª, têm uma pegada bem louca, com um baixão sinistrão, muito boa, bem gangsta. Tocaria no Nifama com certeza... A 8ª faixa é outra pancada: "Black Star Line", muito louca também, estilo bem gangsta, com falas políticas no meio (bem a cara do Ren...) baseada em tecladões bem pesados. Na sequência, "Return Of The Villain" vai fechando o álbum com chave de ouro, bem dançante, lembra até um pouco o álbum Rutless For Life. "V-Funk" finaliza o álbum, um G-Funk também, bem na linha Dr. Dre 2001. O refrão dela faz referência a "Dr. Frankeinstein" (George Clinton na veia!).

Mc Ren foi um dos membros do lendário NWA (Niggaz With Atitude). Foi um dos grupos mais polêmicos da história do rap, responsável por levar o Gangsta Rap ao mundo todo. Uma vez, questionado pelo site Hip Hop DX sobre a reação dos membros do NWA em relação à carta que o FBI mandou para eles na época do som "Fuck the Police", ele afirmou que foi publicidade gratuíta. Os membros do grupo não se importaram... Quem se preocupou, na época, foram os executivos da gravadora. Nesta mesma entrevista Ren falou sobre a morte de Eazy E. Ele, antes de morrer, vítima de AIDS, chegou a falar com Ren sobre uma possível volta do NWA, na mesma semana em que gravaram "The Motherfuckin' Real". Eazy E faleceu semanas depois...

Mc Ren é um grande letrista, bem acima da média norte-americana. Continua seguindo sua história com muita dignidade, sem se perder nas idéias. Não abriu mão de sua linha, o que é mais importante, embora tenha se renovado bastante. Ele não se coloca como um "gangsta rapper". Segundo Ren, este termo foi muito batido pela imprensa. Mesmo na época do NWA eles se afirmavam muito mais como "hardcore" ou "undergroumd" rapper's.

Nem vou comentar mais nada... baixa o álbum e confira. Vida longa ao vilão!!!

Retorno...

Nunca havia ficado tanto tempo sem postar desde que comecei. Estive sem internet em casa por um bom tempo. Mas estou aqui, de volta, com força total!!!