quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Ferréz mais uma vez...

Tem um comentário do Ferréz sobre o seu texto na Folha de São Paulo no blog dele (http://www.ferrez.blogspot.com/). Eu não tenho procuração para defendê-lo, nem teria peso para isso também, mas como me considero acima de qualquer suspeita...

Embora reconheça o seu papel pioneiro ao cavar espaço para o surgimento de todo um movimento literário da periferia chamado Literatura Marginal, não assino em baixo de tudo que o Ferréz escreve, por motivos que num outro post eu posso comentar. Acredito que o Ferréz erra em alguns de seus posicionamentos. Mas, não neste caso. Desta vez ele acertou na mosca... E esse papo de o texto ter sido publicado no Tendências e Debates não justifica que não seja feita uma leitura de um texto obviamente literário, escrito por um escritor de literatura.

Não tenho o mesmo tipo de crítica conservadora e reacionária que a imprensa marrom brasileira e a elite deste mesmo país fazem... Não faço coro com os absurdos que estão afirmando por aí, quero deixar claro...

Afinal de contas, quem é o Ferréz? O que ele faz?

O Ferréz é um escritor, lembram-se? A imprensa e a elite brasileiras são tão preconceituosas que não conseguem ler um texto do Ferréz e se darem conta de que estão lendo LITERATURA. O problema é que um MANO, um FAVELADO, não pode se dar ao luxo de usar de licença poética...

O Luciano Huck, este sim, pode gritar pelo Capitão Nascimento e ninguém se manifesta? E ele nem é escritor. Aliás, ele escreve tão bem como comanda o seu programa...

Ferréz não queria bancar o advogado do "correria". Ele queria despertar uma reflexão. O problema é que os fãs do Capitão Nascimento de plantão estão sentindo medo... Muito medo... E daí para para a raiva é somente um passo...

Sobre o texto do Luciano Huck, expressa bem quem ele é e o que pensa. Assim como expressa também o que a playboyzada no Brasil, de um modo geral, pensa. Ele está trilhando um caminho de bom-mocismo que o Netinho já trilhou também, mas falhou (a agressão a sua esposa e ao Vesgo do "Pânico" lhe custaram a queda de sua máscara e do seu prestígio...).

Agora eu pergunto: Quem vai tirar a máscara do Luciano Huck? Será que existe playboy bem intencionado?

Eu sinceramente não acredito...

O problema é que a elite acredita que o "correria" que roubou o Luciano Huck é mal por natureza. E ela (a elite) não tem nada com isso. Não estão dispostos a ceder nada, não abrem mão de nada, de nem um centavo. Quanto mais de um rolex...

Quem sabe se o Ferréz fosse um professor universitário e escrevesse um texto burocraticamente acadêmico... Citando Jean-Jacques Rousseau e a teoria do bom selvagem... Dizendo que a sociedade é que corrompe o homem e tal... Porque, na prática, o que ele quis inserir no debate foi este conceito, nada mais que isso. Ele quis mostrar ao leitor da Folha de São Paulo o ser humano que habita o corpo do ladrão do roléx, e que ele poderia ter tido uma outra chance na vida. Quis mostrar que a contra-partida de muitos andarem por aí com um roléx que paga várias casas populares no pulso são as centenas que vão ter que morar em barracos de madeirite. Esse é o preço que nossa sociedade paga. É a lógica do capitalismo.

Mas o problema não é o conceito. O problema é que a periferia não pode ter voz.


A elite brasileira está apavorada.

Boa Ferréz!!!

3 comentários:

COJUNE disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Netto - COJUNE disse...

Olá,
Parabéns pelo Blog, e pela crítica a reportagem e aos autores. Concordo contigo Adriano, quando coloca que o pensamento do Luciano Huck expressa o pensamento da elite, da playboyzada. Elite míope, ou melhor, racista e carregada de preconceitos, que "não enxerga um palmo a sua frente".
O Luciano Huck é um cara engraçado, está lançando mais um CD de "Hip-Hop", na verdade de Rap, não sei com quais Rappers, e nem quero saber. Mas é contraditório, se propor a trabalhar com o Rap, e ter este posicionamento. É um exemplo clássico de apropriação e destruição da cultura negra, pelo playboyzinho que quer ser o cara e acha que o dinheiro compra tudo. Ele está errado, o dinheiro não compra o Resgate a Identidade, a destruição que o racismo e os preoceitos provocam na consciênte e subcosciênte da população negra e póbre.
Foi foda ler esta reportagem!
Axé..

Netto - COJUNE disse...

Olá,
Parabéns pelo Blog, e pela crítica a reportagem e aos autores. Concordo contigo Adriano, quando coloca que o pensamento do Luciano Huck expressa o pensamento da elite, da playboyzada. Elite míope, ou melhor, racista e carregada de preconceitos, que "não enxerga um palmo a sua frente".
O Luciano Huck é um cara engraçado, está lançando mais um CD de "Hip-Hop", na verdade de Rap, não sei com quais Rappers, e nem quero saber. Mas é contraditório, se propor a trabalhar com o Rap, e ter este posicionamento. É um exemplo clássico de apropriação e destruição da cultura negra, pelo playboyzinho que quer ser o cara e acha que o dinheiro compra tudo. Ele está errado, o dinheiro não compra o Resgate a Identidade, a destruição que o racismo e os preconceitos provocam no consciênte e subcosciênte da população negra e póbre.
Foi foda ler esta reportagem!
Axé..
www.cojune.blogspot.com