quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O Almirante Negro





"Nós marinheiros, cidadãos brasileiros e republicanos, não podendo mais suportar a escravidão na Marinha Brasileira, a falta de proteção que a Pátria nos dá, e até então não nos chegou, rompemos o véu negro que nos cobria aos olhos do enganado e patriótico povo. Achando-se todos os navios em nosso poder, tendo a seu bordo prisioneiros todos os oficiais... Reformar o código imoral e vergonhoso que nos rege, a fim de que desapareça a chibata, o bolo, e outros castigos semelhantes; aumentar o nosso soldo... educar os marinheiros que não têm competência para vestir a orgulhosa farda... Tem V. Excia. o prazo de 12 horas para mandar-nos a resposta satisfatória, sob pena de ver a pátria aniquilada... (assinado) marinheiros."



Este foi o ultimato enviado ao presidente da República, Hermes da Fonseca, pelo grupo de marinheiros rebeldes liderados por João Cândido em 23 de novembro de 1910. A chamada "Revolta da Chibata" foi um movimento contra a alimentação estragada servida aos marinheiros, contra os castigos corporais e o racismo. A tradição brasileira seguia costumes herdados da escravidão e de diferentes esquadras, como a inglesa, que impunha a chibata aos marinheiros.



A marinha de guerra brasileira era das mais fortes do mundo à época. Aqueles que duvidaram que marinheiros semi-analfabetos pudessem manobrar uma das mais potentes esquadras do mundo tremeram depois sob a mira de João Cândido, o "almirante negro". Com o governo Hermes da Fonseca recém-empossado e o apoio da população do Rio de Janeiro, o Congresso aprovou as reivindicações dos marinheiros, inclusive a anistia, no dia 25 de novembro.



João Cândido confiou na decisão e retirou as bandeiras vermelhas dos mastros. O governo lançou violenta repressão, mesmo sob a reação dos marinheiros, com dezenas de mortes e centenas de deportações. João Cândido foi preso e permaneceu encarcerado durante 18 meses, em prisão subterrânea, sob protesto de políticos como Rui Barbosa. Foi internado em hospital de alienados e, novamente preso e solto, após alguns anos. Tuberculoso, conseguiu restabelecer-se e sobreviver como vendedor do mercado de peixes no Rio de Janeiro, onde morreu em 1969, sem patente e na miséria.



A sua memória foi resgatada pelos compositores João Bosco e Aldir Blanc, no samba O mestre-sala dos mares, que levou este nome porque o título "Almirante Negro" não agradou a censura na época.



Existe um projeto de lei no Senado que concede anistia post mortem ao almirante negro João Cândido Felisberto.



Fonte: Texto de Roberta Amaral (clique aqui)

Revolta da Chibata












Mestre-Sala dos Mares
(João Bosco e Aldir Blanc)

Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar apareceu
Na figura de um bravo marinheiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como almirante negro
Tinha a dignidade de um mestre-sala
E ao acenar pelo mar, na alegria das regatas
Foi saudado no porto
Pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas

Rubras cascatas
Jorravam das costas dos negros
Entre cantos e chibatas
Inundando o coração
Do pessoal do porão
Que a exemplo do marinheiro gritava, então:

Glória aos piratas, às mulatas, às sereias,
Glória à farofa, à cachaça, às baleias,
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esqueceram jamais...

Salve o almirante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais

(Mas, salve...)
Salve o almirante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

20 de Novembro






África Brasil

Jorge Ben



Eu quero ver o que vai acontecer

Eu quero ver o que vai acontecer

Quando Zumbi chegar

Zumbi é senhor das guerras

É senhor das demandas

Eu quero ver o que vai acontecer

Quando Zumbi chegar



Angola gongô benguela

Monjolo capinda nina

Quiloa rebolo



Aqui onde estão os homens

Há um grande leilão

Dizem que nele há

Uma princesa à venda

Que veio junto com seus súditos

Acorrentados num carro de boi



Eu quero ver

Eu quero ver

Eu quero ver



Angola gongô benguela

Monjôlo capinda nina

Quiloa rebolo



Aqui onde estão os homens

Dum lado cana de açúcar

Do outro lado o cafezal

Ao centro senhores sentados

Vendo a colheita do algodão tão branco

Sendo colhidos por mãos negras



Eu quero ver

Eu quero ver

Eu quero ver



Quando Zumbi chegar

O que vai acontecer

Zumbi é senhor das guerras

É senhor das demandas

Quando Zumbi chega e Zumbi

É quem manda



Eu quero ver

Eu quero ver

Eu quero ver

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Polícia Carioca já Matou 961 "Suspeitos"

Segundo dados do Instituto de Segurança Pública do Rio, em 2007, a polícia carioca prendeu 22% menos criminosos do que em 2006; e, pasmem: matou 21% a mais!

Este é o conteúdo da notícia que o site IG divulgou hoje. Clique aqui para ver a notícia na íntegra e conferir mais dados. Além, é claro, dos comentários de vários internautas comemorando os números e parabenizando a polícia pela sua atuação...

Um belo dia desta semana eu acordo e vejo uma série de notícias, no telejornal, que envolviam violência extrema. E como um gran finale, a cena dos policiais caçando traficantes da Favela da Coréia como se fossem coelhos, transmitidas pela Rede Globo de televisão exaustivamente e com uma naturalidade que deixou bem clara a postura de indiferença da referida emissora. Para minha surpresa, parte significativa do país reagiu com indignação as imagens, o que obrigou a emissora a localizar, no vídeo, uma arma pesada na mão de um dos traficantes executados sumariamente. Isto depois de dar voz a organizações do movimento por direitos humanos, numa clara manobra que visou justificar e legitimar a ação da polícia carioca.

O debate que devemos fazer não é o de quem é o mocinho e o bandido, até porque, a esta altura, este debate fica meio difícil de ser feito... O grande debate, escondido por trás deste, porém muito mais importante para a sociedade como um todo, é: será que estas ações da polícia contrinuem para acabar com a violência no Rio?

A elite brasileira, do alto de sua hipocrisia demagógica, vê no policiamento ostencivo a solução para o problema da violência. É muito cômodo pra quem não é capaz de (e quer evitar a qualquer preço) fazer o real debate sobre os problemas mais profundos do país, que são a fonte de toda esta crise de violência que o país vive...

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Ferréz mais uma vez...

Tem um comentário do Ferréz sobre o seu texto na Folha de São Paulo no blog dele (http://www.ferrez.blogspot.com/). Eu não tenho procuração para defendê-lo, nem teria peso para isso também, mas como me considero acima de qualquer suspeita...

Embora reconheça o seu papel pioneiro ao cavar espaço para o surgimento de todo um movimento literário da periferia chamado Literatura Marginal, não assino em baixo de tudo que o Ferréz escreve, por motivos que num outro post eu posso comentar. Acredito que o Ferréz erra em alguns de seus posicionamentos. Mas, não neste caso. Desta vez ele acertou na mosca... E esse papo de o texto ter sido publicado no Tendências e Debates não justifica que não seja feita uma leitura de um texto obviamente literário, escrito por um escritor de literatura.

Não tenho o mesmo tipo de crítica conservadora e reacionária que a imprensa marrom brasileira e a elite deste mesmo país fazem... Não faço coro com os absurdos que estão afirmando por aí, quero deixar claro...

Afinal de contas, quem é o Ferréz? O que ele faz?

O Ferréz é um escritor, lembram-se? A imprensa e a elite brasileiras são tão preconceituosas que não conseguem ler um texto do Ferréz e se darem conta de que estão lendo LITERATURA. O problema é que um MANO, um FAVELADO, não pode se dar ao luxo de usar de licença poética...

O Luciano Huck, este sim, pode gritar pelo Capitão Nascimento e ninguém se manifesta? E ele nem é escritor. Aliás, ele escreve tão bem como comanda o seu programa...

Ferréz não queria bancar o advogado do "correria". Ele queria despertar uma reflexão. O problema é que os fãs do Capitão Nascimento de plantão estão sentindo medo... Muito medo... E daí para para a raiva é somente um passo...

Sobre o texto do Luciano Huck, expressa bem quem ele é e o que pensa. Assim como expressa também o que a playboyzada no Brasil, de um modo geral, pensa. Ele está trilhando um caminho de bom-mocismo que o Netinho já trilhou também, mas falhou (a agressão a sua esposa e ao Vesgo do "Pânico" lhe custaram a queda de sua máscara e do seu prestígio...).

Agora eu pergunto: Quem vai tirar a máscara do Luciano Huck? Será que existe playboy bem intencionado?

Eu sinceramente não acredito...

O problema é que a elite acredita que o "correria" que roubou o Luciano Huck é mal por natureza. E ela (a elite) não tem nada com isso. Não estão dispostos a ceder nada, não abrem mão de nada, de nem um centavo. Quanto mais de um rolex...

Quem sabe se o Ferréz fosse um professor universitário e escrevesse um texto burocraticamente acadêmico... Citando Jean-Jacques Rousseau e a teoria do bom selvagem... Dizendo que a sociedade é que corrompe o homem e tal... Porque, na prática, o que ele quis inserir no debate foi este conceito, nada mais que isso. Ele quis mostrar ao leitor da Folha de São Paulo o ser humano que habita o corpo do ladrão do roléx, e que ele poderia ter tido uma outra chance na vida. Quis mostrar que a contra-partida de muitos andarem por aí com um roléx que paga várias casas populares no pulso são as centenas que vão ter que morar em barracos de madeirite. Esse é o preço que nossa sociedade paga. É a lógica do capitalismo.

Mas o problema não é o conceito. O problema é que a periferia não pode ter voz.


A elite brasileira está apavorada.

Boa Ferréz!!!

Luciano Huck X Ferréz


De que lado você está?


Seguem os dois textos publicados na Folha, um do Luciano Huck e outro do Ferréz. Na sequência eu opino...

Pensamentos Quase Póstumos
LUCIANO HUCK


Luciano Huck foi assassinado. Manchete do “Jornal Nacional” de ontem. E eu, algumas páginas à frente neste diário, provavelmente no caderno policial. E, quem sabe, uma homenagem póstuma no caderno de cultura.Não veria meu segundo filho. Deixaria órfã uma inocente criança. Uma jovem viúva. Uma família destroçada. Uma multidão bastante triste. Um governador envergonhado. Um presidente em silêncio. Por quê? Por causa de um relógio. Como brasileiro, tenho até pena dos dois pobres coitados montados naquela moto com um par de capacetes velhos e um 38 bem carregado. Provavelmente não tiveram infância e educação, muito menos oportunidades. O que não justifica ficar tentando matar as pessoas em plena luz do dia. O lugar deles é na cadeia.

Agora, como cidadão paulistano, fico revoltado. Juro que pago todos os meus impostos, uma fortuna. E, como resultado, depois do cafezinho, em vez de balas de caramelo, quase recebo balas de chumbo na testa. Adoro São Paulo. É a minha cidade. Nasci aqui. As minhas raízes estão aqui. Defendo esta cidade. Mas a situação está ficando indefensável. Passei um dia na cidade nesta semana -moro no Rio por motivos profissionais - e três assaltos passaram por mim. Meu irmão, uma funcionária e eu. Foi-se um relógio que acabara de ganhar da minha esposa em comemoração ao meu aniversário. Todos nos Jardins, com assaltantes armados, de motos e revólveres. Onde está a polícia? Onde está a “Elite da Tropa”? Quem sabe até a “Tropa de Elite”! Chamem o comandante Nascimento! Está na hora de discutirmos segurança pública de verdade. Tenho certeza de que esse tipo de assalto ao transeunte, ao motorista, não leva mais do que 30 dias para ser extinto. Dois ladrões a bordo de uma moto, com uma coleção de relógios e pertences alheios na mochila e um par de armas de fogo não se teletransportam da rua Renato Paes de Barros para o infinito.

Passo o dia pensando em como deixar as pessoas mais felizes e como tentar fazer este país mais bacana. TV diverte e a ONG que presido tem um trabalho sério e eficiente em sua missão. Meu prazer passa pelo bem-estar coletivo, não tenho dúvidas disso. Confesso que já andei de carro blindado, mas aboli. Por filosofia. Concluí que não era isso que queria para a minha cidade. Não queria assumir que estávamos vivendo em Bogotá. Errei na mosca. Bogotá melhorou muito. E nós? Bem, nós estamos chafurdados na violência urbana e não vejo perspectiva de sairmos do atoleiro.

Escrevo este texto não para colocar a revolta de alguém que perdeu o rolex, mas a indignação de alguém que de alguma forma dirigiu sua vida e sua energia para ajudar a construir um cenário mais maduro, mais profissional, mais equilibrado e justo e concluir - com um 38 na testa - que o país está em diversas frentes caminhando nessa direção, mas, de outro lado, continua mergulhado em problemas quase “infantis” para uma sociedade moderna e justa. De um lado, a pujança do Brasil. Mas, do outro, crianças sendo assassinadas a golpes de estilete na periferia, assaltos a mão armada sendo executados em série nos bairros ricos, corruptos notórios e comprovados mantendo-se no governo. Nem Bogotá é mais aqui.

Onde estão os projetos? Onde estão as políticas públicas de segurança? Onde está a polícia? Quem compra as centenas de relógios roubados? Onde vende? Não acredito que a polícia não saiba. Finge não saber. Alguém consegue explicar um assassino condenado que passa final de semana em casa!? Qual é a lógica disso? Ou um par de “extraterrestres” fortemente armado desfilando pelos bairros nobres de São Paulo?Estou à procura de um salvador da pátria. Pensei que poderia ser o Mano Brown, mas, no “Roda Vida” da última segunda-feira, descobri que ele não é nem quer ser o tal. Pensei no comandante Nascimento, mas descobri que, na verdade, “Tropa de Elite” é uma obra de ficção e que aquele na tela é o Wagner Moura, o Olavo da novela. Pensei no presidente, mas não sei no que ele está pensando. Enfim, pensei, pensei, pensei. Enquanto isso, João Dória Jr. grita: “Cansei”. O Lobão canta: “Peidei”. Pensando, cansado ou peidando, hoje posso dizer que sou parte das estatísticas da violência em São Paulo. E, se você ainda não tem um assalto para chamar de seu, não se preocupe: a sua hora vai chegar.

Desculpem o desabafo, mas, hoje amanheci um cidadão envergonhado de ser paulistano, um brasileiro humilhado por um calibre 38 e um homem que correu o risco de não ver os seus filhos crescerem por causa de um relógio. Isso não está certo.

Resposta:

Pensamentos de um “Correria”
FERRÉZ


Ele me olha, cumprimenta rápido e vai pra padaria. Acordou cedo, tratou de acordar o amigo que vai ser seu garupa e foi tomar café. A mãe já está na padaria também, pedindo dinheiro pra alguém pra tomar mais uma dose de cachaça. Ele finge não vê-la, toma seu café de um gole só e sai pra missão, que é como todos chamam fazer um assalto.

Se voltar com algo, seu filho, seus irmãos, sua mãe, sua tia, seu padrasto, todos vão gastar o dinheiro com ele, sem exigir de onde veio, sem nota fiscal, sem gerar impostos.Quando o filho chora de fome, moral não vai ajudar. A selva de pedra criou suas leis, vidro escuro pra não ver dentro do carro, cada qual com sua vida, cada qual com seus problemas, sem tempo pra sentimentalismo.

O menino no farol não consegue pedir dinheiro, o vidro escuro não deixa mostrar nada. O motoboy tenta se afastar, desconfia, pois ele está com outro na garupa, lembra das 36 prestações que faltam pra quitar a moto, mas tem que arriscar e acelera, só tem 20 minutos pra entregar uma correspondência do outro lado da cidade, se atrasar a entrega, perde o serviço, se morrer no caminho, amanhã tem outro na vaga. Quando passa pelos dois na moto, percebe que é da sua quebrada, dá um toque no acelerador e sai da reta, sabe que os caras estão pra fazer uma fita.

Enquanto isso, muitos em seus carros ouvem suas músicas, falam em seus celulares e pensam que estão vivos e num país legal. Ele anda devagar entre os carros, o garupa está atento, se a missão falhar, não terá homenagem póstuma, deixará uma família destroçada, porque a sua já é, e não terá uma multidão triste por sua morte. Será apenas mais um coitado com capacete velho e um 38 enferrujado jogado no chão, atrapalhando o trânsito.

Teve infância, isso teve, tudo bem que sem nada demais, mas sua mãe o levava ao circo todos os anos, só parou depois que seu novo marido a proibiu de sair de casa. Ela começou a beber a mesma bebida que os programas de TV mostram nos seus comerciais, só que, neles, ninguém sofre por beber.Teve educação, a mesma que todos da sua comunidade tiveram, quase nada que sirva pro século 21. A professora passava um monte de coisa na lousa -mas, pra que estudar se, pela nova lei do governo, todo mundo é aprovado? Ainda menino, quando assistia às propagandas, entendia que ou você tem ou você não é nada, sabia que era melhor viver pouco como alguém do que morrer velho como ninguém.Leu em algum lugar que São Paulo está ficando indefensável, mas não sabia o que queriam dizer, defesa de quem? Parece assunto de guerra. Não acreditava em heróis, isso não! Nunca gostou do super-homem nem de nenhum desses caras americanos, preferia respeitar os malandros mais velhos que moravam no seu bairro, o exemplo é aquele ali e pronto. Tomava tapa na cara do seu padrasto, tomava tapa na cara dos policiais, mas nunca deu tapa na cara de nenhuma das suas vítimas. Ou matava logo ou saía fora. Era da seguinte opinião: nunca iria num programa de auditório se humilhar perante milhões de brasileiros, se equilibrando numa tábua pra ganhar o suficiente pra cobrir as dívidas, isso nunca faria, um homem de verdade não pode ser medido por isso.Ele ganhou logo cedo um kit pobreza, mas sempre pensou que, apesar de morar perto do lixo, não fazia parte dele, não era lixo.

A hora estava se aproximando, tinha um braço ali vacilando. Se perguntava como alguém pode usar no braço algo que dá pra comprar várias casas na sua quebrada. Tantas pessoas que conheceu que trabalharam a vida inteira sendo babá de meninos mimados, fazendo a comida deles, cuidando da segurança e limpeza deles e, no final, ficaram velhas, morreram e nunca puderam fazer o mesmo por seus filhos! Estava decidido, iria vender o relógio e ficaria de boa talvez por alguns meses. O cara pra quem venderia poderia usar o relógio e se sentir como o apresentador feliz que sempre está cercado de mulheres seminuas em seu programa. Se o assalto não desse certo, talvez cadeira de rodas, prisão ou caixão, não teria como recorrer ao seguro nem teria segunda chance. O correria decidiu agir. Passou, parou, intimou, levou. No final das contas, todos saíram ganhando, o assaltado ficou com o que tinha de mais valioso, que é sua vida, e o correria ficou com o relógio.

Não vejo motivo pra reclamação, afinal, num mundo indefensável, até que o rolo foi justo pra ambas as partes.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Desenho Hip Hop Animado!


Dia 21 de setembro (sexta-feira) estréia no Cartoon Network (TV a cabo) o programa "Batalha - A Guera do Vinil". Trata-se de uma animação "stop motion" produzida por brasileiros. A história se desenrola em uma favela de São Paulo, onde acontece uma batalha entre DJ Air e DJ Black Jahmantha. Quem apresenta a festa é Thaíde.

Mais de 40 profissionais, comandados por Marcio Greco (Diretor de Fotografia), tiraram mais de 10.000 fotos, construíram 28 personagens em massa e 3 cenários, um deles uma favela com mais de 300 barracos! Vale a pena conferir, pra quem tem acesso a TV a cabo. Para quem não tem resta aguardar para ver se a TV aberta compra os direitos e exibe. A conferir, com muito mais detalhes muito em breve, é lógico... Estréia dia 21 de setembro, às 00:00 hs.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Fique Rico ou Morra Tentando!

Assisti recentemente ao filme do 50 Cent Get Rich or Die Tryin' (Fique rico ou Morra Tentando). Todos que me conhecem sabem que o "50 centavos" definitivamente não é meu rapper predileto - apesar de eu admitir que 2 ou 3 musicas suas são legais, mas é só isso e não passa disso... Não é que me surpreendi ao assistir ao filme!

O 50 Cent é o estereótipo perfeito do que se tornou o gangsta rap nos EUA...

Certa vez o Ice T (aquele mesmo, de Law and Order - Lei e Ordem - e da musica Collor´s) deu uma entrevista a MTV brasileira e afirmou para Mano Brown, diante do Capão Redondo, que um Gangsta Rapper "nada mais era do que um rapper que canta denunciando os problemas vividos por sua comunidade, que faz algo ou luta por sua comunidade...", isto para ninguém menos que ele, o criador do termo, o pai da matéria ao lado do NWA, do CMW, do SCC, e etc. O grande problema é que, com o passar dos anos, "Gangsta Rap" virou sinônimo de apologia ao crime. A palavra perdeu o seu significado original. Por razões óbvias: vende mais, causa polêmica, chama atenção...

O filme do 50 Cent faz referências a sua vida pessoal. E sua vida pessoal é um exemplo, não um exemplo a ser seguido, mas um exemplo do que é de fato o universo da criminalidade, sem o glamour dos videoclipes ou dos filmes norte-americanos. É, porque os críticos mais duros do gangsta rap são aqueles mesmos que assistem aos filmes americanos de hollywood e vibram com a carneficina, se emocionam com os tiros e tudo mais...

Claro que o filme não é transposto da mesma forma como na vida real. O que é bom, diga-se de passagem... O diretor Jim Sheridan e o roteirista Terence Winter souberam montar um roteiro que chega a emocionar. Um bom filme. Uma boa história de um ladrão que tentou se regenerar (dentro de suas limitações...) através do rap, algo mais comum do que se imagina. Vide o exemplo do Sabotage, rapper brasileiro cuja história não teve um final com o glamour de hollywood, mas que também daria um bom filme, com certeza, até melhor que o do 50...

Olhando para o 50 Cent dentro do contexto em que ele surgiu, é possível entender seus caminhos, e até de repente absolvê-lo. Fica fácil, através do filme, perceber que o buraco é muito mais embaixo, e que muitas "lideranças" do próprio movimento negro norte americano fazem o jogo do opressor através da maneira como criticam o rap. O Gangsta Rap, como atitude política, perdeu muito espaço para o Gangsta Rap Enlatado produzido atualmente em larga escala nos EUA. O problema é que o Gangsta Rap Enlatado é somente um sintoma de uma doença muito maior e avaçaladora. A verdade é que o 50 Cent é um produto da sociedade capitalista de consumo desenfreado e de individualismo norte-americana. Os americanos merecem o 50 Cent! E merecem o "Gangsta Rap Enlatado" (ou pseudo Gangsta), que é um dos tipos de rap mais consumidos, se não o maior de todos...

Talvez o mundo todo também mereça...

domingo, 2 de setembro de 2007

Estamos fora mais uma vez...


Após uma campanha extremamente conturbada, mais uma vez ficamos de fora de mais uma Olimpiada. É claro que ainda tem o pré-Olimpico mundial, mais lá a coisa vai ser muito mais difícil. Se não conseguimos nem vencer o time B da Argentina... 91 a 80 foi o placar.
A equipe brasileira, sem organização tática, com um grupo desunido, com uma Comissão Técnica que é uma piada, com dirigentes que se esforçam ao máximo para levar nosso basquete tupiniquim ao fundo do poço... E tem conseguido, diga-se de passagem. Faltou padrão de jogo, faltou amor a camisa, faltou substituir na hora certa, faltou pulso firme para orientar o grupo, faltou muita coisa...
Uma geração que é muito boa, porém não treinou, não se preparou...
Fora Grego! Fora Lula!
Para saber mais: http://www.rebote.org/ (um bom site de debates, confira!)

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Nenê Confirmado!

O Denver acaba de confir-mar a participação de Nenê Hilário no pré-Olímpico. O Brasil não se classificou para as duas ultimas Olimpíadas. Depois de muito tempo, a seleção poderá contar com sua força máxima. Nenê, se-guindo conselhos do amigo Leandrinho, resolveu dar uma trégua aos cartolas da Confederação Brasileira de Basquete, com quem mantinha uma queda de braço a alguns anos, devido a uma série de divergências.

O Basquete brasileiro sempre foi um jogo de playboys. Ao menos o basquete profissional, com certeza. Pra se jogar basquete em nosso país é necessário ser sócio de um clube caríssimo. Quase não existem categorias de base que possibilitem que os talentos apareçam e tenham oportunidades profissionais.

As comissões técnicas brasileiras, tanto nos times, quanto na seleção – e principalmente na seleção – sempre tentaram moldar times à partir de um padrão eurocêntrico, buscando reproduzir o estilo europeu de jogar... Isto, num país que tem a maior parte de sua população descendente de africanos. Há aqui o potencial para o surgimento de vários jogadores com a ginga de um Michael Jordan.

Nesse tipo de basquete que o Brasil praticava, o esquema tático é tudo. O time joga em função de um arremessador (um Oscar da vida...) que aparece sozinho na quadra. O time só possui uma jogada. Uma só opção. Os técnicos, do lado de fora, se esforçam para aparecer mais do que o jogador, que, na concepção do público, em qualquer esporte, é a estrela absoluta... Estas eram as críticas de Nenê quando não se apresentou a seleção brasileira em outras oportunidades.

Eu nunca vi sentido algum na maneira que o Brasil joga basquete. Havia uma contradição entre o que se via nos rachões, nas quadras de escolas que os alunos tinham que pular o muro no final de semana para jogar, nas raríssimas praças onde a depredação ainda não havia arrasado com tudo e o que se via no basquete profissional do Brasil. Eram dois países diferentes. Ao contrário do futebol, que buscou na favela um Romário ou um Ronaldinho, o basquete profissional brasileiro nunca refletiu a composição étnica brasileira, nunca contemplou todas as classes sociais que, a duras penas e com muita paixão, praticavam o esporte da bola ao cesto.

Nenê Hilário, junto com Leandrinho e outros, vieram para equilibrar um pouco as coisas e mudar – espero que definitivamente – a história do basquete brasileiro, que é uma história que possui algumas glórias, devo admitir, mas também é uma história de exclusão, há que se dizer em bom tom e em voz alta. São representantes de uma geração que cresceu assistindo a NBA e literalmente chegou lá. Ficou difícil para a CBB não reconhecer o talento que fez os norte-americanos se reverenciarem...

Vai ser interessante ver este time disputar o pré-olímpico... Que venham os arremessos de Marcelinho Huerta, representante legítimo do basquetebol do passado, e que é importante para a seleção. Mas não com exclusividade. Que venham também as enterradas de Nenê as infiltrações de Leandrinho!

sábado, 21 de julho de 2007

segunda-feira, 4 de junho de 2007

J.M.

Segue aí um vídeo montado por um rapper campineiro que eu "pago uma rajada": o mano J.M. Ele é estudante de Publicidade e Propaganda (área estratégica né...) e canta rap já a muitos anos. Vale a pena dar uma conferida. Eu recomendo!
Segue o Link aí:

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Criminalização do Hip Hop II

Quanto mais analiso, mais me parece evidente. Seguem mais algumas informações passadas por parceiros/as que estiveram na Virada Cultural e me expuseram os fatos em suas versões:

1 - Desde muito antes do Show do Racionais Mc´s haviam pessoas em cima da famigerada Banca de Jornal, que a PM de São Paulo defendeu com tanta garra. Aliás, havia gente em cima dos banheiros químicos, dos postes, e pasmem: até nos mastros das bandeiras da Praça da Sé... No show do Nação Zumbi mesmo, conforme e-mail que recebi, por volta das 24 horas, a banda pedia para que o público descesse para não se machucar.

2 - Até a hora do show, a polícia "passou" pelo evento e não se manifestou em nenhum momento sobre o público que improvisou seus "camarotes"... Na hora que o Racionais subiu no palco, parece que o efetivo inteiro da polícia chegou de repente, inclusive o Choque! Que coincidência!

3 - Havia, é bom deixar claro, muita gente fazendo uso de entorpecente, álcool, etc. Aliás, como acontece em qualquer show, inclusive frequentados pela elite.

4 - A desculpa de que o atraso revoltou o público não cola. Eu mesmo já vi no mínimo uns 30 shows do Racionais em Campinas, em São Paulo e em outros lugares. Não me lembro de algum deles ter começado no horário. Também não me lembro de ter visto tamanha confusão por conta de atrasos. Isto não isenta o Kassab de suas responsabilidades (nem o Serra, como alguns tentam fazer). Em todos os shows do Racionais eles abrem espaço para grupos menores se apresentarem antes do show deles. Acho isso, inclusive, algo que todo grupo consagrado deveria fazer.

5 - Muita gente foi assistir a Virada Cultural. Foram ver Alceu Valença, Chico Sciense e Nação Zumbi, e outros foram para passear apenas e se divertir, sem nem saber quem iria tocar (o que é muito comum na Virada Cultural...). Bom, mas o público que tumultuou o evento, ah! Eram todos fãs do Racionais Mc´s, de carteirinha. A imprensa mapeou um por um... Isto sem falar que nas notícias parece que somente o Racionais Mc´s tocou no dia... Era um show exclusivo!

Por fim, cada vez mais parece muito óbvio quem foram os verdadeiros responsáveis pelo tumulto...
(inspirado em texto do Clodoaldo - Resumo do Jazz)

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Racionais Mc's na Mídia: Criminalização do Hip Hop

Mais de 3 milhões de pessoas (3 vezes a população de Campinas!) se reuniram na madrugada de sábado para domingo na Praça da Sé para assistir a um show da virada cultural. Vários amigos meus daqui de Campinas foram ao show. Uma oportunidade rara: Racionais Mc’s de graça, na faixa...

Vou me ater aos comentários e interpretações sobre alguns fatos e algumas notícias que tive por parte de alguns membros do movimento com quem conversei. As notícias da imprensa burguesa estão nos links abaixo.

É verdade que em shows de rap ao ar livre que contam com a segurança “garantida” pela PM o clima fica tenso o tempo todo. Existe uma rivalidade aí, todos sabemos.Os “pretos” cançaram de apanhar e resolveram extravasar seus sentimentos, e isto é feito em forma de rimas. A polícia não pode admitir isso...
Porém, é verdade também que é comum em qualquer show que aglomere um número tão grande de pessoas ocorram problemas. Qualquer ser humano, agressivo ou descontrolado, sendo rapper ou não, ao se encontrar em uma situação onde a multidão lhe dá cobertura, aproveita a situação para extrapolar impunemente. Assim aconteceu no show “AMIGOS” (Chitãozinho e Xororó, Zezé de Camargo e Luciano, Leandro e Leonardo, etc.), com apoio da Globo, há uns anos atrás, quando mais de 100 mil pessoas presenciaram a morte de mais de 10 pessoas após um tumulto. Depois, assistimos ao “silêncio” da imprensa sobre os fatos (o caso foi flagrantemente “abafado”). Ninguém viu as câmeras da globo filmando as pessoas que morreram pisoteadas. Quando o tumulto acontece em um show do Racionais, os jornalistas carregam na tinta logo na seqüência, automaticamente. É a vingança dos jornalistas “playboys” que são ignorados e rejeitados pelos “negrões carecas semi-analfabetos da periferia”, bem ao gosto dos interesses editoriais da imprensa burguesa (e racista) e da classe social que ela representa. Já consigo ver o Datena e outros, em seus programas sensacionalistas, destilando seus venenos amanhã (segunda, 7 de maio de 2007).

Existe uma tentativa de criminalização do Hip Hop, através da deturpação da imagem de seu maior expoente, em curso já há alguns anos.

O Racionais Mc’s chega a atingir a casa dos milhões de cópias vendidas com seus álbuns alternativos, sem esquema com Faustão ou musica em novela. O grupo de rap paulista não permite que sua imagem seja associada ao projeto de responsabilidade social da Globo (com iniciativas como a parceria com o MV Bill) ou até mesmo a tentativas de diálogo da emissora com o público do Hip Hop (como Cidade de Deus, Antonia, etc.). Televisão, para eles, no máximo um programa “Ensaio” na Cultura ou um videoclipe na MTV. Imprensa escrita, só a imprensa alternativa do movimento, às vezes uma Caros Amigos... Isto mexe com os brios da “toda poderosa”. E com os brios dos jornalistas de plantão que não conseguem acessar o grupo.

A mídia evita demonstrar ao público a trapalhada que os tucanos fizeram ao organizar este show. Subestimaram a capacidade de atração de público do Rap, permitiram que a polícia interferisse da pior forma possível e fizeram um evento desorganizado que gerou revolta pelo atraso e desrespeito com o público (que não era o mesmo dos outros evento, é claro...), porém saem ilesos do processo. Segundo editorial de um jornal da emissora Globo News, “dos 350 eventos da virada cultural apenas neste houve ocorrência e o prefeito Kassab garantiu que a virada vai continuar”. Para eles, apenas neste evento haviam vândalos criminosos, o que explica o tumulto. Para o Hip Hop, foi o único evento onde a polícia agrediu o público, onde o estado reprimiu a população de forma irresponsável. Há muito a ser refletido sobre este evento, tanto pelas lições que as interpretações dos fatos vão gerar na sociedade em geral, quanto pela reflexão a ser feita sobre a própria postura do movimento Hip Hop, um movimento que tenta se afirmar enquanto manifestação artística ao mesmo tempo em que faz militância social e possui várias facetas, muitos matizes.

Em nenhum momento o Racionais Mc’s incitou o público a um confronto com a polícia. É correta e evidente a constatação de que suas músicas denunciam a violência policial de uma forma contundente. Porém, entre uma música e outra, quando a confusão começou, as palavras de Mano Brown buscavam esfriar os ânimos e encerrar o conflito. Fora o “tapa na cara” da crítica das letras e as palavras de ordem do público que realmente provocava os policiais, para que a verdade seja estabelecida, o que ocorria no show até que a polícia entrasse em ação é o corriqueiro em qualquer evento de grande porte, de qualquer gênero musical, que envolva um número tão grande de pessoas. Não justifica a ação da tropa de choque ao estilo “invasão do carandiru”.

Quando os “garotos de rua” (o que eles querem com este termo...) subiram na banca de jornal (para assistir o show de uma posição melhor, e não invadir e roubar os apartamentos, conforme noticiou a Folha), na sacada de prédios e até mesmo nas caixas de som do evento, simbolicamente estavam buscando um lugar no “camarote”, nem que fosse somente por alguns segundos. Era o momento para ter voz e vez. Isto significa o Hip Hop na vida de muitos jovens da periferia: a conquista da auto-estima, a tentativa de compreensão e denuncia da realidade opressiva do Brasil, ou até mesmo um grito para a sociedade de “eu existo” e “assim as coisas acontecem onde eu moro e em minha vida”. Algo inadmissível aos olhos da elite de nosso país. Quando os policiais reagiram às “provocações” e “insultos” com balas (de borracha e de verdade), gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral (o que realmente causou o tumulto, pois a multidão reagiu à altura com garrafas, pedras e tudo que houvesse por perto, inclusive destruindo tudo em sua volta enquanto fugiam das borrachadas...), era a burguesia reagindo por meio de outros cidadãos da periferia (que irônico...), mal pagos, mal preparados, mal equipados, e que encontraram uma boa oportunidade para deixar aflorar o seu ódio e desabafar sua frustração cotidiana. Eles queriam participar da festa. E conseguiram.

Impressionante a postura do Suplicy no show e nas entrevistas: preciso e na medida certa, como tem sido a alguns anos em relação ao movimento hip hop. É impressionante como a sociedade se diverte com algumas atitudes do senador, como quando ele cantou um rap do Racionais Mc’s (Um Homem na Estrada, por sinal um clássico) no Jô Soares ou no Senado. Muitas vezes, até dentro do PT há quem ria de posturas do Suplicy como esta. Sintomático. Na maioria das vezes, quando rimos, o fazemos por perceber que algo foge completamente do padrão estabelecido como "normal". Atitudes como a de Suplicy, de tentativa de diálogo (mesmo que trôpega em alguns momentos) com o movimento popular, se tornaram coisa rara - e engraçada - dentro do PT...

Não que eu queira ter a pretensão de colocar o Hip Hop no mesmo nível de um MST. Guardemos as devidas pretensões e respeitemos as particularidades de cada movimento. Apesar de acreditar que o Hip Hop possui um grau de radicalidade parecido com o do MST, precisa aprender muito com o MST em termos de direcionamento organizativo e político. Mas vale uma reflexão a respeito.

Um pouco de opinião inviesada:

Manchete o portal globo.com: “Show dos Racionais termina em quebra-quebra e confronto entre platéia e polícia”

Link:
http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL32020-5605,00.html

Manchetes da Folha Online: “Virada Cultural se transforma em campo de batalha no centro de SP” e Relato da Virada: "Vi um homem erguer uma arma e atirar"

Link:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u135031.shtml

Link:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u135041.shtml

Manchete do UOL: “Polícia e público entram em confronto em show do Racionais na Sé”

Link:
http://musica.uol.com.br/ultnot/estado/2007/05/06/ult4522u4.htm

sexta-feira, 6 de abril de 2007

“Redman - Red Gone Wild (Thee Album)”

Esse é um cara da East Coast que eu pago um pau… O maluco é considera-díssimo pelos rapper´s da West Coast, apesar das rivalidades. É um mano que tem história e merece respeito. O talento dele é tão evidente que ele transcende as tretas e tem passagem livre em qualquer ponto dos E.U.A.

O trampo “Gimmie One”, produzido por Pete Rock, mano que que é isso? Fazia tempo que eu não ouvia um cd com o mesmo entusiasmo… Isso pra um cara que curte mais o estilo Gangsta é difícil de admitir… Mas o Redman é o Redman.

A faixa “Sumtn' 4 Urrbody” é também uma pancada. Este CD do Redman faz lembrar o clássico (e insuperável...) album “Docs da Name”! É bom ouvir um velho ícone de novo, com a mesma classe de sempre renovada.

“How U Like Dat” é um Funk (quase saiu G-Funk, rs... força do hábito...). Bem balançadão. Muito bom! Rola até um C-Walk, se marcar...

A faixa “Rite Now” é bem louca. Tem um backing vocal chapado e produção de seu parceiro de sempre Erick Sermon. Vai rolar bem nas pistas. Aliás, o cd, de um modo geral, combina momentos mais pista com outros mais pesados. “Whutchoogonnado” vai também nesta linha, no mesmo padrão, dançante.

Uma das melhores faixas do cd, muito diferente por sinal, possui um sampler de raggae (o que é raro em rap, por incrível que pareça, por ser uma combinação de ingredientes difíceis...). A faixa “Blow Treez” possui sampler de nada mais, nada menos que “Sun is Shining” do Bob Marley, uma bela escolha, e participação de Method Man. O que impressiona é que ao contrário de muitas fusões do tipo que o Spice One fez o som ficou pesadíssimo. Vale conferir...

A boa “Get’ Em” foi produzida pelo Tha Chill (o que é interessante...) e possui um ar meio Dogg Pound (?), o que é mais interessante ainda... Chapado...

“Gilla House Check” é uma pancada. Só ouvindo mesmo.

Gostei muito da faixa “SoopaMan Lova 6”, onde o Erick Sermon produziu usando uma referencia que a Alicia Keys já havia utilizado também, mas com outra cara. Boa também.

Por fim, a faixa de trabalho deve ser “Merry Jane”, eu imagino. Ficou bem na praia dos participantes: Snoop Dogg e Nate Dogg. Os vocais do Nate, sem palavras...

O que eu mais admiro no Redman é a levada, que é muito original e debochada; e o estilo escrachado, sempre bem humorado, mas ao mesmo tempo muito crítico também. Ainda não digeri este cd, estou ouvindo e tal, mas já dá pra afirmar que é bom com certeza. Tanto que me instiguei a postar este comentário aqui logo de cara...

sábado, 13 de janeiro de 2007

Laugh Now, Cry Later

O último álbum do Ice Cube já saiu há algum tempo, mas vale o comentário aqui mesmo assim. Uma boa dica aos fãs do bom e velho G. Rap. A faixa título do álbum "Laugh Now, Cry Later" é de arrepiar os cabelos. Só ouvindo pra sentir o balanço e o peso.

O Ice Cube é um veterano que tem história no cenário norte-americano. Foi um dos integrantes do antigo N.W.A., grupo que tinha também em sua formação Dr. Dre, Mc Ren, DJ Yella e o polêmico Eazy E (R.I.P.). Foi o primeiro deles a se aventurar numa carreira solo, após uma treta com o Eazy E. Sua discografia é tão grande que é possível acompanhar a evolução do rap gringo através dela. No seu currículo constam também participações em filmes que vão do sessão da tarde "Anaconda" ao clássico "Boyz In The Hood" (que saiu por aqui como "Os Donos da Rua"), onde o rapper teve atuação memorável.

Neste trabalho Ice Cube vem acompanhado de WC, seu parceiríssimo no projeto paralelo WestSide Connection, além das participações de Snoop Dogg, entre outros. Aliás, este último está na faixa "Go To Church" cujo clip chegou a ser veiculado mas foi proibido (ou censurado) depois. No Brasil, o Multishow chegou a apresentá-lo algumas vezes, quem viu, viu...

O rapper vem afiado e seu discurso não poupa nem o presidente George Bush...

Eu destacaria também as faixas "Growin Up", "Steal the Show", "Spittin' Polaseeds" com WC e Kokane, "Child Suport" e "Chrome & Paint" com o WC, esta última o WC quebra tudo , dá até pra matar a saudade...