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segunda-feira, 12 de julho de 2010

Erykah Badu e Lauryn Hill no Brasil




O Credicard Hall soltou em seu twitter (@credicardeshow) um post anunciando a vinda ao Brasil de duas divas da black music: Erykah Badu e Lauryn Hill. Duas das mais respeitáveis artistas da cena hip hop.


Lauryn Hill


Lauryn Hill está confirmadíssima: estará por estas bandas em setembro. Passará por São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Florianópolis. Prepare o seu bolso, pois o ingresso mais barato em São Paulo não sairá por menos de 100 mangos. É lamentável, mas os artistas de hip hop norte-americanos que visitam o Brasil tocam pra playboys em casas chiques. E os militantes do movimento daqui, que vivenciam o rap 24 hrs. por dia, ficam de fora da festa, no máximo vendo pela vitrine... Às vezes, me sinto meio cachorro de padaria.

De fato, não nos profissionali-zamos, por aqui. Este foi o preço a ser pago por não aderirmos acriticamente ao "mainstream". Por lá, os criadores do rap não vacilaram e foram para a mídia. Ficaram milionários. Mas, seus discursos ficaram adocicados... Será possível pensar num meio termo?

Vi, em recente aparição do Mano Brown no programa Manos e Minas da TV Cultura, uma entrevista onde o rapper do Capão e do Racionais MC's falava sobre isto: "tocar nas grandes casas noturnas de São Paulo não é uma conquista. Conquista será quando tivermos nossas próprias casas na periferia..."

Enquanto isto não acontece, vamos lá, juntar nossas moedinhas...

Erykah Badu


Já Erikah Badu segue sendo uma incógnita. Embora sua presença tenha sido divulgada via twitter, na sua agenda oficial não consta uma visita ao Brasil: seus shows confirmados vão até 14 de agosto, quando ela estará em Atlanta. Na programação oficial do Credicard Hall, onde constam shows de setembro (como o da Lauryn), não consta nada sobre a vinda de Erikah Badu em agosto (ela estaria aqui no dia 29...).

O último álbum da Erykah, do início deste ano, "New Amerykah. The Return of the Ankh", promete ser o 2º de uma trilogia. Este álbum foi marcado pela cena de nu exibida por Erykah Badu no vídeo "Window Seat". No clipe, Erikah caminha por Dallas, se despindo, e cai após um disparo no exato local onde John F. Kennedy foi assassinado. Segundo ela, "foi uma homenagem ao democrata, um político revolucionário, e uma forma de chamar a atenção para a reflexão sobre a exposição da qual muitas vezes somos vítima". Clique aqui e veja. Faça seu próprio julgamento. Polêmicas à parte, o álbum tem muito conteúdo. Se o nu foi ou não uma estratégia de marketing (eu até acho que foi...), o fato é que ele está dentro de um contexto artístico, servindo a um propósito que vai além do marketing. Não é uma simples exposição do corpo da mulher como "mercadoria", com insinuações sexuais...

Se quiser saber mais e souber inglês, aventure-se pela entrevista que ela deu ao DJ de jazz Gilles Peterson em seu programa na BBC, Giant Sleep, regada com boa música.


O primeiro álbum da trilogia New America era um tanto mais tenso, com discursos políticos e pregações islâmicas. Este 2º título também trás todas as marcas da Erykah, com suas viagens pelo soul, pelo jazz e, claro, pelo hip hop. Mas o estilo que predominou em diversas faixas foi o r&b tradicional. Lembra um pouco "On & On". Isto talvez torne o álbum mais digerível ao público em geral do que outras gravações anteriores. Esta é uma cantora que sempre me intrigou com seus timbres jazzísticos, seus ares misteriosos, místicos desde a época do "Baduizm". Este último álbum é uma boa forma de alguém que não a conhece começar a ouvi-la.


Erykah Badu possui personalidade, num mundo recheado de "fabricações pop" falsificadas. Mais do que música, carrega consigo toda uma proposta estética que é um mergulho às raízes negras. Sua sofisticação faz bem à cena hip hop, com certeza. Uma referência, "4eva"...

Talvez o nascimento de seu 3º filho tenha levado Erikah para uma viagem mais sensível, do alto de sua maturidade de quem possui 39 anos. Mas, os samples estão lá, desta vez mais marcantes do que nunca. A maior parte das músicas deste álbum cabem numa pista de dança de r&b. Não foi à toa que a "atualização" do selo black mais famoso de todos os tempos, a Universal Motown, é quem lançou o disco. É um trabalho cheio de groove. Muito pessoal também, para manter as raízes autocentradas de seu trabalho de estréia.


A faixa com mais cara de rap do CD, "Turn Me Away (Get Munny)", é uma nítida referência a "Get Money", do falecido rapper nova-iorquino Notorius B.I.G., um clássico repaginado. As mais jazzísticas são "Out My Mind, Just In Time" e "Agitation", um interlúdio na verdade, que nos deixa com a sensação de quero mais... O baixão é predominante, como não poderia deixar de ser, mas os teclados estão lá também, como em "You Loving Me (Session)". No mais, "Window Seat", "Umm Hmm", "Love", "Fall In Love (Your Funeral)"... r&b na veia total!

Erykah já havia visitado o Brasil com o "Baduizm", seu primeiro CD (de 1997), quando tocou no Free Jazz Festival. Aguardamos ansiosos o seu retorno...


segunda-feira, 14 de junho de 2010

Mano Brown e Jorge Ben no Fantástico



Falsas Polêmicas, Marketing, Racionais Mc's, CD Novo, Nike, Rede Globo e tudo mais...

Ontem o Fantástico exibiu um clipe do Jorge Ben Jor, com a participação de Mano Brown. A música é uma regravação de "Umbabaraúma - Ponta de Lança Africano", do clássico LP "África Brasil" (1976) de Jorge Ben. Será lançada hoje, na véspera do 1º jogo da seleção na Copa da África do Sul. O projeto foi patrocinado pela Nike e já corriam rumores a respeito da existência dele há um bom tempo. Veja o vídeo no final do post.

Os jornalistas de grandes veículos de comunicação torcem por um vacilo de Mano Brown, para decretarem sua capitulação diante da "grande mídia racista" que ele sempre criticou. É a hora da vingança para eles, os transmissores da ideologia racista e burguesa, que não gostam quando alguém questiona suas posições políticas de classe e raça em forma de "jornalismo neutro". Mano Brown está entalado na garganta deles desde que fechou as portas de seu camarim para todos eles na entrega do prêmio VMB (Video Music Brasil) de melhor videoclipe, na categoria da escolha popular, com a música "Diário de Um Detento". Lá se vão 12 anos...

A principal questão não é estar ou não nas grandes empresas de comunicação. A questão é como seremos tratados pelos meios de comunicação e nossa independência em relação à eles. A grande vitória do posicionamento crítico do Mano Brown foi o respeito e a crítica. Primeiro, porque ao fazer a crítica, Brown abriu os olhos de muitos (como eu...) para a manipulação dos grandes meios de comunicação, todos tendenciosos. É um segmento que funciona por concessão pública, mas não dá nenhum tipo de satisfação à sociedade, e toda vez que alguém toca no assunto "regulamentação", ouvem-se gritos contra a censura, vindos inclusive de Redes conhecidas por seu apoio à Ditadura no passado. É um campo dominado por meia dúzia de famílias que controlaram completamente a circulação da informação no país até recentemente, antes da abertura forçada de espaços promovida pela internet. Se o MV Bill é assediado pela Rede Globo e pode negociar com ela de forma digna é porque o Racionais Mc's botou o Sr. Roberto Marinho no lugar dele, lá atrás (com relação ao Rap, é claro...). É por isso que não fizeram do Rap paulista o que fizeram e fazem do Funk carioca.

O Mano Brown, o Racionais Mc's, ou qualquer outro grupo de rap, podem se expor nos grandes meios de comunicação de forma independente, em minha opinião. Desde que não mudem o discurso e a postura.

No ano passado, corri para as bancas de jornais para comprar a Revista Rolling Stone e ler a entrevista com o Brown. "Mano Brown Entre as Novas Idéias e o Velho Radicalismo", dizia a manchete. Muitos decretaram a capitulação: o Racionais Mc's não é mais o mesmo. Eu esperava o pior, mesmo que lá no fundo uma parte de mim não acreditasse, ou não quisesse acreditar... Sinceramente, não vi nada de novo na entrevista. Achei até que o entrevistador foi extremamente respeitoso. Foi uma exposição calculada e precisa, bem melhor que a famosa entrevista do Mano Brown ao Roda Viva para entrevistadores despreparados (exceção somente para a Maria Rita Kehl), onde eu achei que ele se colocou mal diante de algumas questões esdrúxulas. E o Brown que vimos, na Revista, no Roda Viva ou no Fantástico, foi o mesmo de sempre, lógico que com evoluções. Ele fez 40 anos este ano, está mais maduro, passou por transformações como qualquer outro ser humano. Mas não o vejo como um perdedor, como muitos tentam pregar. Pelo contrário. Olhem onde ele chegou. Muitos "produtos enlatados" que picam cartão nos Faustões e Gugus da vida não gozam do mesmo prestígio e respeito que ele.


A Nike, por sua vez, é uma empresa cujo marketing é muito antenado com o que está acontecendo no mundo. Foi na sua associação com a imagem de Michael Jordan, o maior jogador de Basquete de todos os tempos, do esporte mais popular nos EUA, que a empresa cresceu assombrosamente no mundo todo. Depois vieram outros: Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, etc. Se têm uma coisa que está acima do preconceito racial no capitalismo é, sem dúvida, a sede por lucro. Nada mais natural que o interesse da Nike pelo fenômeno Racionais Mc's, cujo ícone maior é Mano Brown. Só não reconhece a importância do Mano Brown no Brasil quem não quer...

A maioria dos jogadores de futebol são politicamente nulos, inclusive o maior deles, o Pelé. Aí, me desculpem, mas sou muito mais o Maradona. Têm atitude, pelo menos. Os brasileiros, quando abrem a boca, falam besteira. Dá pra comparar o Brown com estes caras? Aliás, acreedito sinceramente que o Brown estava se referindo a este processo quando fala de "leões com cabeça de bagre" na letra da sua participação em "Umbabaraúma".


A questão que fica pra mim é a seguinte: a Nike mudará o discurso e o posicionamento político do Racionais Mc's? Veremos no próximo álbum do grupo, em vias de sair... Eu acho muito difícil.

Se o discurso e a postura não vai mudar, bola pra frente, que o resto é mera publicidade gratuita...


Mano Brown não é mais o jovem vibrante e ingênuo que acreditava que mudaria o mundo com sua música. Nem o herói infalível que muitos elegeram no passado como o grande messias do rap, contra a própria vontada dele, que se tornou a maior vítima deste herói. Ele é humano. Sua maior mudança foi ter compreendido melhor este processo. Mas isto não diminui em nada seus feitos. Ele despertou a consciência de raça em milhões de jovens brasileiros de forma como o movimento negro nunca teria conseguido.

Agora, a raiva, a revolta, ainda estão lá. Elas são o motor do rap. Sem elas, o rap não é rap... Só que trabalhadas com uma poética diferente, num discurso renovado. Nós, fãs, podemos voltar a ouvir o "Escolha o Seu Caminho" novamente, ou o "Holocausto Urbano". Eu faço isto sistematicamente. Mas o que marcou o Racionais Mc's historicamente foi a renovação, de show em show, de disco em disco, um nunca igual ao outro. Que assim continue, sempre. Não vi nada que me envergonhe nas letras das últimas composições do Racionais Mc's. Talvez um machismo na letra de "Mulher Elétrica", uma tentativa mal sucedida de acertar as contas históricas com as mulheres. Mas daí a dizer que é uma música comercial... Me poupe. É um G.Funk clássico!


Muito do que dizem à respeito do Racionais Mc's é fruto de mera desinformação daqueles que não conhecem a história do grupo. Seja por parte de militantes que fizeram de Brown o porta voz de seus anseios mais radicais, atribuindo a ele responsabilidades que ele mesmo nunca buscou para si, colocando um discurso na boca dele que nunca foi o dele; seja por parte daqueles que querem promover uma mentira sobre uma guinada comercial, por mero golpe de marketing capitalista. O Racionais Mc's não precisa de uma guinada comercial, esta é a questão. Se eles não se venderam lá atrás, quando eram amadores, porque fariam isto agora que alcançaram a estabilidade financeira e profissional, correndo o risco de se perderem e caírem num ostracismo sem volta, como muitos outros no passado?

E mais, um recado aos conservadores de plantão da elite brasileira que se preocupa com os rumos do hip hop: o rapper que organiza sua Posse e suas atividades em sua quebrada; o DJ que faz seu programa na Rádio Comunitária; o grafiteiro ou a grafiteira que se expressam criticamente em seus trampos nos muros; todos eles continuarão lá, independentemente do que venha a acontecer com o Racionais Mc's. O hip hop já adquiriu esta maturidade.

Segue a matéria do Fantástico:


"Ponta de Lança Africano - Umbabaraúma"
Jorge Ben Jor e Mano Brown
Produção: DJ Zegon (Planet Hemp, N.A.S.A.) e por Daniel Ganjaman (Instituto)
Backing Vocals: Negresko Sis (Anelis Assumpção, Céu e Thalma de Freitas)
Participação: Pupilo (percussionista da Nação Zumbi)

Veja o video na íntegra aqui: YouTube. Vale a pena conferir.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Luto: Morre Michael Jackson


Morreu ontem Michael Jackson, o maior ícone da música pop de todos os tempos, aos 50 anos de idade. Independente de qualquer besteira que ele tenha feito nos últimos tempos, nada apaga o que ele representa para a minha geração, que aguardava anciosamente os domingos para assistirem as estréias dos videoclipes no Fantástico. Fica aqui, com a música "Rock With ou" - minha preferida - a nossa homenagem.




Rock With You
Dançar Com Você


Michael Jackson
Composição: Michael Jackson


Girl, close your eyes...
Garota feche os os olhos
Let that rhythm get into you
deixe o ritmo invadi-lá
Don't try to fight it
não tente lutar contra ele
There ain't nothing that you can do
ainda falta muito tempo,
Relax your mind
relaxe a mente
Lay back and groove with mine
liberte-se e dance comigo
You gotta feel that heat
você tem que sentir o calor
And we can ride the boogie
para que possamos dançar
Share that beat of love
e compartilhar o ritmo do amor...


Ao lado de Quincy Jones, seu genial parceiro



I wanna rock with you (all night)
Quero dançar com você (a noite toda)
Dance you into day (sunlight)
Dançar até o dia (clarear)
I wanna rock with you (all night)
Quero dançar com você (all night)
I'm gonna rock the night away
eu vou balançar a noite toda


Out on the floor
Na pista de dança
There ain't nobody there but us
só estamos só nós 2
Girl when you dance
garota quando você dança
There's a magic that must be love
é um magia que só pode ser amor
Just take it slow
vá com calma
Cause we got so far to go
porque ainda falta muito tempo
When you feel that heat
você tem que sentir o calor
And we can ride the boogie
para que possamos dançar
Share that beat of love
e compartilhar o ritmo do amor...


I wanna rock with you (all night)
Quero dançar com você (a noite toda)
Dance you into day (sunlight)
dançar até o dia (clarear)
I wanna rock with you (all night)
Quero dançar com você (all night)
I'm gonna rock the night away
eu vou balançar a noite toda


And when the groove is dead and gone (yeah)
e quando a música estiver acabando
You know that love survives
você sabe que o amor sobrevive
So we can rock forever, on
para que possamos dançar pra sempre,





I wanna rock with you!
Eu quero balançar com você!
I wanna groove with you!
Eu quero dançar com você!
I wanna rock with you!
Eu quero balançar com você!
I wanna groove with you!
Eu quero dançar com você!


I wanna rock (all night) with you, girl (sunlight)
Eu quero balançar (a noite toda) com você, garota (clarear)
Rock with you, rock with you, (yeah) (all night)
Balançar com você, balançar com você, (yeah) (a noite toda)
Dance the night away
Dançar a noite inteira


I wanna rock with you (yeah) (all night)
Quero dançar com você (a noite toda)
Rock you into day (sunlight)
dançar até o dia (clarear)
I wanna rock with you (all night)
Quero dançar com você (all night)
Rock the night away
balançar a noite toda


Feel the heat, feel the heat
sinta o calor, sinta o ritmo,
Rock you into day (sunlight)
dançar até o dia clarear.
I wanna rock
Eu quero balançar
Rock the night away
Balançar a noite inteira




quarta-feira, 3 de junho de 2009

Filme sobre Tim Maia!


Conforme Nelson Motta, autor da biografia "Vale Tudo: Tim Maia", já havia antecipado (clique aqui) há cerca de dois anos atrás, está em vias iniciais de produção um filme sobre a vida do genial Tim Maia. A produtora RT Features comprou os direitos para produzir o filme. O diretor será Mauro Lima, que dirigiu o ótimo "Meu Nome Não é Johnny". Os direitos foram comprados da família e a biografia de Nelson Motta será referência para a realização do filme. Clique aqui e aqui para ler mais sobre o libro, que eu já li e recomendo...



Recentemente escrevi um post sobre os 10 anos sem Tim Maia e a homenagem feita por Racionais Mc's e a Banda Black Rio (clique aqui).

A biografia de Tim é um calhamaço de 400 páginas que é super fácil e rápido de ler, de tão surpreendente. Lá estão todas as histórias que todos nós queremos saber e um pouco mais ainda. Mas, ao mesmo tempo em que o livro garante boas risadas, ele é comovente e triste também, pois sabemos que o Tim, caso tivesse se cuidado um pouco mais, poderia estar entre nós até os dias de hoje... Valerá a pena aguardar pelo filme!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Tok Tok Tok: Soul de primeira!



Como estive em greve nos últimos dias, acabei por não postar nada neste fim de semana e estive em greve do Blog também, mesmo sem querer... De quelquer forma, vai aí uma boa dica, meio atrasada, do que andei ouvindo neste fim de semana, nos momentos em que isto me foi possível...

É muito raro um novo álbum, de qualquer estilo de música que seja, me fazer deixar de ouvir rap, ainda que por um momento que seja. Nem me lembro quando foi a última vez. Este aqui conseguiu tal proeza... E mais: dificilmente eu ouço pacientemente um álbum do começo ao fim, sem pular nenhuma faixa, ainda mais na era do MP3. Pois é, nem precisaria dizer mais nada sobre “From Soul to Soul”, da banda Tok Tok Tok, de origem alemã (isto mesmo, acredite...). Na verdade, a cantora radicada na Alemanha Tokunbo Akinro, nasceu na Nigéria. Além de cantar, ela compõe as letras da dupla. Morten Klein, o segundo integrante, é saxofonista e violonista.


No álbum, quase todas as faixas são dedicadas a músicos clássicos. Existem faixas dedicadas a Norah Jones, Isaak Heyes, Stevie Wonder, James Brown, Ericah Badu, Ray Charles, e por aí vai... As dedicatórias são meio que pistas do que vem pela frente em cada faixa. São coisas novas, mas que deixam uma (boa) sensação falsa de “já ouvi isto antes”. De certa forma, é um passeio pela black music muito rico e sofisticado. Parece bastante com o que a cena “neo soul” vem produzindo...


O vocal de Tokunbo Akinro lembra ora Macy Gray (na opinião de minha esposa), ora Corinne Bailey Ray (na minha), ou uma mistura mais precisamente, quem sabe... Gostei muito de Get Away (homenagem a altura a Isaak Heyes) e Drowning in Love, que homenageia Earth, Wind and Fire, mas remete também a Jamiroquai. The Only One (To Stevie Wonder) e Don't Mess Around With Philis Jones (To Tower Of Power) seguram a qualidade no mesmo padrão. Isto na primeira audição, é claro…

Existe um álbum mais recente na praça, chamado “She and He”, que ao que me parece é mais romântico. Este eu não ouvi. Esta dupla esteve no Brasil estes dias atrás e eu nem fiquei sabendo... Devo “andar meio desligado”...

De qualquer forma, vi a palhinha deles na TV, o que já valeu. O site da banda é este aqui: http://www.toktoktok.net/. No You Tube tem muito material também, garimpem...

sexta-feira, 6 de março de 2009

O Bom e Velho Too $hort

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Um dos principais fenômenos da "golden age of hip hop" (era de ouro do hip hop), o rapper Too $hort, anunciou seu novo grupo, o "Town Bizness", e promete um novo álbum para 2009. Em abril deste ano o mundo conhecerá o álbum "Can't Take It With You", que será gravado por uma banca de Oakland que inclui o conhecido Tony, Toni, Tone! (Elijah Baker) além de Silk E, Martin Luther, Kev Choice e B. Collier, além do próprio Too $hort.
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Too $hort influenciou gerações de rapper's no mundo todo, desde Gangsta's, passando por MC's Old School, até representantes da Dyrth South music. Ele viveu "Lew-Loc" nos cinemas, no filme "Menace II Society" (Perigo para a Sociedade). Foi ele o pioneiro a usar a expressão "Bitch" (pronuncia-se Biatch!) e a imortalizá-la. O termo ganhou as ruas e virou uma gíria usada nos Estados Unidos inteiro (é comum no cinema atualmente) e se popularizou nas músicas de Snoop Dogg, influenciadas por $hort. É impossível alguém ter curtido os bailes black's dos anos 80 e 90 e não ter dançado ao som de "Life Is... Too Short" (veja o clipe aqui) ou mesmo o clássico "I Ain't Trippin'" (não deixe de ver o clipe aqui!), manjadíssima...
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Dono de um timbre de voz inconfundível e único, possui 17 trabalhos gravados em uma extensa carreira que começou em 83. Seu estilo é caracterizado especialmente pelo groove do funk music, embora seja difícil classificar sua música... Isto porque, ao mesmo tempo em que é um pioneiro, possui uma marca bem distinta dos outros integrantes da "Old School", o que o aproxima do Gangsta Rap. Suas letras abordam o sexo com muita frequência (é sem dúvida seu tema predileto...), o que influenciou toda a geração seguinte de "Pimp's" da vida. No entanto, músicas como "The Ghetto" e "Gettin' It" desencorajam a bandidagem e o uso de drogas.
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Too $hort é um capítulo fundamental na história do rap, sem dúvida. Seu novo trabalho é uma oportunidade única para os novos fãs de rap entrarem em contato com este "monstro".
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terça-feira, 12 de agosto de 2008

Morre Isaac Hayes


Morreu no domingo (10 de agosto de 2008), nos EUA (Menphis - Tennesse), aquele que talvez seja a maior influência para o surgimento do rap como um estilo de música. Sem Isaac Hayes, o rap provavelmente não seria o rap, ele seria uma outra coisa...

Aos 65 anos, o cantor foi encontrado inconsciente pela sua esposa, próximo a uma esteira ergométrica. Os paramédicos não conseguiram evitar o pior no caminho para o hospital. Ainda atônitos com a morte repentina e absurda de duas importantes figuras do rap de Campinas (Alex F, do Sistema Negro, e o parceiro Careca, o Killaman), eis que somos surpreendidos com mais uma baixa em nossas fileiras. Será o fim de uma era?


Hayes fez sucesso na gravadora Stax, que seguia a mesma linha da Motown e disputava espaço com ela na época, com o álbum "Hot Buttered Soul", o disco épico em que ele exibe sua clássica careca na capa. São 4 faixas apenas, de longa duração, onde ele "(sic) se preocupa mais com a arte em si do que com as vendas", segundo suas próprias palavras. E vendeu mais de 1 milhão de cópias, ironicamente, contrariando toda a lógica do mercado fonográfico.

O cantor conheceu a consagração definitiva ao ganhar um Oscar com a música do filme Shaft - "Theme from Shaft", de Gordon Parks. Ele foi o primeiro músico negro a alcançar tal feito. Sua performance na cerimônia do Oscar, pilotando um piano flutuante e vestindo uma espécie de camiseta feita de correntes, causou tanto impacto quanto a música. Com a mesma música, aliás, ele ganhou também um Grammy. Já os entendidos de soul music, entre eles muitos rapper's, preferem "Walk on By". Os climas de suas composições são inconfundíveis, entre guitarras wah-wah, metais, canto falado e viagens psicodélicas.

Em 2000, Hayes atuou na refilmagem de Shaft, com direção de John Singleton e ao lado de Samuel L. Jackson. O filme fez parte de um movimento que colocou os negros na posição de protagonistas pela primeira vez no cinema norte-americano: o "blaxploitation". Isso em meio ao movimento por direitos civis. Outros filmes, como Dead President's e Kill Bill, utilizaram suas músicas em trilhas sonoras.

Hayes, aos cinco anos, já cantava em um coral da Igreja. Aprendeu sozinho a tocar órgão, piano e saxofone. Seu estilo é definido por muitos como um "soul sinfônico". Ele inovou, ao cantar com seu vozeirão, num tom abaixo daquele que os soul man's de sua geração cantavam. Suas músicas seguiam um padrão não-comercial, muitas vezes com mais de 10 minutos de duração e instrumentalmente muito ricas, com arranjos sofisticados.

Os mais novos conheceram Hayes pela dublagem do personagem Chef do desenho animado "South Park". Ele participou do desenho de 1997 a 2003, quando saiu em protesto após a série zombar da "cientologia", seita da qual o cantor faz parte, junto com Tom Cruise e outros.

Em 2001 ele produziu o álbum de estréia de Alícia Keys, "Songs In a Mirror", que revelou a cantora de R&B. Já foi homenageado por diversos grupos de rap, em sampler’s que vão do CMW ao Wu-Tan Clan. Em 2002 ele ganhou uma estrela no Hall of Fame.

sábado, 19 de abril de 2008

10 Anos sem Tim Maia




A Banda Black Rio comandou uma apresentação em São Paulo, no HSBC Brasil, no ultimo dia 16 (quarta-feira), em homenagem a Tim Maia, falecido a 10 anos atrás. Mano Brown (em foto acima, no destaque) foi um dos artistas convidados. Paula Lima e Toni Tornado também participaram. Coisa rara ver Mano Brown em um evento desta natureza, uma oportunidade única para seus fãs o curtirem em um momento ímpar – sorte de quem esteve por lá... Tudo em homenagem ao velho e bom Sebastião Rodrigues Maia.




A banda Black Rio retomou suas atividades em 1999, com nova formação, liderada por William Magalhães, filho do falecido membro-fundador Oberdan Magalhães. Desde a morte de Oberdan em 1984, num acidante de carro, a banda havia ficado fora de atividade. A banda Black Rio possui quatro discos gravados: o instrumental “Maria Fumaça” (1976), “Gafieira Universal” (1978), “Saci Pererê” (1980) e “Movimento” (2001). Neles os grooves do Funk estão misturados com o Samba, mesclando também elementos de Jazz e Gafieira. Veja aqui o site da banda.




Tim Maia, se estivesse vivo, estaria com 65 anos (completaria 66 no dia 28 de setembro). Recentemente li o livro de Nelson Motta chamado “A Fúria de Tim Maia”. O livro revela um lado de sua vida que é muito triste, citando o consumo desenfreado de álcool e drogas, os problemas com músicos, gravadoras e empresários, e por aí adiante. Porém, é uma grande oportunidade de entrar em contato com a intimidade do cantor, para quem é fã, penetrando no seu universo, descobrindo particularidades de seu processo criativo, de suas inspirações e de sua vida pessoal. Neste sentido, o livro têm um lado alegre e divertido, muito engraçado em diversos pontos, ao contar as folclóricas histórias que fizeram de Tim a lenda que ele é.

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Dica de Site: DJ Paulão

www.djpaulao.com


Quem curtiu as "Sextas Black´s" do Evolução, baladas que marcaram época na cidade de Campinas, não esquece desse nome: DJ Paulão. Além do Evolução, a "rapa do rap" pode conferir o musical deste DJ também na Kraft, no Barril da Máfia e na Zeus, para citar apenas as pegadas de Campinas que eram frequentadas pelos adeptos do movimento hip hop em massa...

A noite em que DJ Paulão e Big Martins - outra lenda viva do cenário black campineiro - se revezaram nas Pick Up´s no palco do evolução foi antológica. Respectivamente, especialistas em Samba Rock e Funk, botando a casa abaixo!

Um momento que quem viveu, viveu... e que talvez a história não repita novamente...

Qualquer grupo de rap sério e que se preze sabe que este nome é sinônimo de uma verdadeira "Enciclopédia" para pesquisas. DJ que é DJ sabe também que o vinil é indispensável, pois além de ser seu instrumento de trabalho para discotecagem, qualquer bom produtor tem claro que pra compor uma base de raiz e ao mesmo tempo original, que traduza um clássico do passado para a linguagem do presente, é preciso beber na fonte.

Há quem seja contra o sampler, em geral alegando que é uma deformação, no máximo uma cópia, implicando portanto em uma apropriação indébita, uma afronta ao direito autoral. Na verdade, quem conhece rap a fundo sabe que há todo um trabalho de composição em cima do original, que valoriza a capacidade criativa de cada produtor (geralmente um DJ ou MC), independente da limitação de cada um deles, que muitas vezes não possuem um "diploma de músico". Nós rapper´s prefirimos acreditar que o sampler é uma homenagem aos clássicos, que se tornam eternos nas mãos e vozes de DJ´s e MC´s. Visto o exemplo citado pelo próprio Paulão, quando a música dos Originais do Samba que dizia "Na Subida do Morro é Diferente..." voltou as paradas através da referência que a música "A Fuga" do Xis fez, usando-a como sampler. Ali, a produção de KL Jay foi maestral...

Os rapper´s não usam um sampler com o intuito de vender uma falsidade para o público, pois todos sabemos o que é um sampler e como a coisa toda funciona. Não fosse assim, não seria a correria que é atrás dos Isaak Heyes da vida sempre que um Racionais MC´s usa-o como referência. Os americanos já perceberam isso há tempo, não é à toa que Ice Cube e George Clinton já cantaram juntos um rap por lá. Falta nós brasileiros despertarmos para a realidade...

Os negros (descendentes de escravos) e os "chicanos" ou latinos (imigrantes ilegais nos EUA) não possuíam condições para estudar música ou mesmo comprar um instrumento, e nem por isso deixaram de exercitar sua criatividade, o que desembocou no que é o rap hoje: ou seja, dos limões azedos, foi feita a doce limonada...

O DJ Paulão, que eu tenho o privilégio de dizer que é meu "chapa", me deu um puxão de orelha uma vez que eu sinto que todo rapper brasileiro deveria levar. Existe ainda uma infinidade de obras primas que estão "esquecidas" no fundo de algum baú e que poderiam estar sendo garimpadas. Nós, brasileiros, continuamos buscando as referências americanas enquanto no Brasil há um prato cheio, mas muito cheio mesmo, um conteúdo para vários banquetes na verdade, que corre o risco de ser literalmente devorado pelos gringos, que já estão à caminho. Vide a ultima aparição do Black Eyed Peas, ao lado de Sérgio Mendes em cima de nada mais, nada menos que "Mais que Nada"...

Uma dica: não perca tempo, acesse www.djpaulao.com e saiba um pouco mais!

terça-feira, 29 de agosto de 2006

Corinne Bailey Rae

Que a cena R & B possui gran- des vozes femininas é indiscutível. Não dá pra negar o talento de uma Mariah Carey ou de uma Beyonce. São vocais afinadíssimos, arranjos muito bem elaborados e uma infra-estrutura milionária de produção. Os videoclipes possuem imagens cuja qualidade nos hipnotizam...

Por outro lado, e infelizmente, as letras são vergonhosas, apresentando com freqüência os mesmos temas batidos e chavões: exaltação ao consumismo, machismo e um erotismo vulgarizado. A fórmula se repete exaustivamente, a ponto de ter virado um modelo padrão, que quase ninguém arrisca não seguir – vide o último clipe da shakira, que se transformou numa sósia da Mariah tanto na aparência quanto nos gestos...

É neste momento que temos a felicidade de dar as boas vindas a uma nova cantora negra, que chega para nadar na contra mão da corrente: a inglesa Corinne Bailey Rae. O primeiro CD de
Corinne, que leva o mesmo nome da cantora de 26 anos, já lhe rendeu ouro nos EUA e platina na Europa. Possui arranjos diferenciados, com instrumentos acústicos como violão, o que projeta ao CD uma atmosfera diferenciada. Espera-se de Corinne a mesma postura e atitude adotados por Macy Gray, Lauryn Hill e Jill Scott. A influência do soul de Erykah Badu é perceptível, embora se admita que algo em Corinne lembra a cantora Billie Holiday, conforme release em seu site.

A videoclipe da musica “Put Your Records On” é de uma delicadesa que agride e ao mesmo tempo destoa dos outros videoclipes do gênero, provando que é possível falar de temas românticos de uma forma mais saudável. Em seu videoclipe, Corinne passea de bicicleta, enquanto nos demais videoclipes do tradicional R & B “as outras” rebolam freneticamente… A musica de Corinne está entre as mais tocadas, mostrando que não é uma obrigação se expor a um padrão de exploração que a indústria e o mercado musical se habituaram a exigir para obter sucesso. Resta a nós (o público) saber aplicar melhor os nossos critérios de seleção em meio a guerra das “cachorras” e “popozudas”.

Dica: bom para ouvir a dois!

Site nacional:
www.emi.com.br/corinne

Site gringo:
www.corinnebaileyrae.net