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segunda-feira, 18 de abril de 2011

26ª Lavagem da Escadaria da Catedral Metropolitana




9h - CONCENTRAÇÃO na Estação Cultura 
10h - Descida em PROCISSÃO pela Rua 13 de maio 
12h - Cerimônia religiosa e LAVAGEM da escadaria 
13h às 17h - Shows e APRESENTAÇÕES CULTURAIS 
17h - Encerramento 

Kutala Kiambote! 


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Chuck D e Publick Enemy: Militância Política no Hip Hop


Chuck D é o líder do conceituado Public Enemy, um clássico grupo de rap norte-americano que compôs a trilha do filme "Faça a Coisa Certa", de Spike Lee. O Public Enemy é o grupo norte-americano de maior influência política, em função de seu discurso contundente, exposto em letras de músicas como "Don't Believe the Hype" e "Fight the Power". A lista de admiradores do Chuck D vai longe e constam nela desde o Zack de La Rocha (Rage Against the Machine), até o Bono Vox (U2). Recentemente, Chuck D deu uma entrevista para o Rosebud e falou sobre seu engajamento no projeto "Hip Hop Gods", um portal de rap dedicado a cultivar as raízes do hip hop através de seus fundamentos.

Leia aqui a entrevista no Hip Hop Gods.

Segundo "D", pessoas como Big Daddy Kane and Grandmaster Flash continuam a produzir, mas não possuem o devido reconhecimento do público. Na verdade, muitas pessoas curtem o trabalho deles, mas não possuem acesso. Outros então nem chegam a conhecer devido à falta de divulgação adequada...


"Quando o Grandmaster Flash and the Furious Five e o Run DMC entraram para o Hall da Fama quase não houve o reconhecimento devido, o que não aconteceria se fosse um 50 Cent ou um Kanye West... O Hip Hop Gods foi criado para corrigir estas injustiças" (sic)

Antenado com o que está acontecendo no mundo da música, Chuck D criticou o mercado fonográfico - o "mainstream", em função de não valorizar os trabalhos mais profundos da cultura hip hop. Mas falou também dos novos meios tecnológicos, onde gravar uma música ou um videoclipe tornou-se mais acessível. Segundo o rapper, falta ao hip hop conhecer melhor, aprendendo a trabalhar e se apropriando destes novos recursos. No próximo período, a relação entre artista e público poderá ter menor influência do mercado através de gravadoras - como acontecia antes - e devemos nos prepararmos para isto. "Falta conhecimento de relações públicas nos dias de hoje", afirmou o rapper.

"Sarkozy é como qualquer outra elite européia: ele lucrou com o assassinato, estupro e pilhagem dos menos afortunados e ele se recusa a permitir a igualdade de oportunidades para aqueles homens e mulheres da África" (sic)


Apesar de todas as polêmicas nas quais o rapper Chuck D se envolveu, ele teve uma trajetória impecável. Toda a controvérsia em torno dele gira em torno de seus posicionamentos críticos: propostas de boicote à empresas que utilizam mão de obra escrava nos dias de hoje; apoio de primeira hora às redes P2P e ao compartilhamento de músicas pela internet; duras críticas ao imperialismo norte-americano e ao discurso apologista do machismo, do crime e da violência promovido por muitos rappers adeptos do Gangsta Rap. Enfim, engajamento político puro!

Vida longa ao Hip Hop Gods! E ao Chuck D!

Leia no site do rapper Gog (clique aqui) uma outra entrevista de Chuck D sobre técnicas para MC's.

Conheça aqui o site oficial do Public Enemy.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Mano Brown e Jorge Ben no Fantástico



Falsas Polêmicas, Marketing, Racionais Mc's, CD Novo, Nike, Rede Globo e tudo mais...

Ontem o Fantástico exibiu um clipe do Jorge Ben Jor, com a participação de Mano Brown. A música é uma regravação de "Umbabaraúma - Ponta de Lança Africano", do clássico LP "África Brasil" (1976) de Jorge Ben. Será lançada hoje, na véspera do 1º jogo da seleção na Copa da África do Sul. O projeto foi patrocinado pela Nike e já corriam rumores a respeito da existência dele há um bom tempo. Veja o vídeo no final do post.

Os jornalistas de grandes veículos de comunicação torcem por um vacilo de Mano Brown, para decretarem sua capitulação diante da "grande mídia racista" que ele sempre criticou. É a hora da vingança para eles, os transmissores da ideologia racista e burguesa, que não gostam quando alguém questiona suas posições políticas de classe e raça em forma de "jornalismo neutro". Mano Brown está entalado na garganta deles desde que fechou as portas de seu camarim para todos eles na entrega do prêmio VMB (Video Music Brasil) de melhor videoclipe, na categoria da escolha popular, com a música "Diário de Um Detento". Lá se vão 12 anos...

A principal questão não é estar ou não nas grandes empresas de comunicação. A questão é como seremos tratados pelos meios de comunicação e nossa independência em relação à eles. A grande vitória do posicionamento crítico do Mano Brown foi o respeito e a crítica. Primeiro, porque ao fazer a crítica, Brown abriu os olhos de muitos (como eu...) para a manipulação dos grandes meios de comunicação, todos tendenciosos. É um segmento que funciona por concessão pública, mas não dá nenhum tipo de satisfação à sociedade, e toda vez que alguém toca no assunto "regulamentação", ouvem-se gritos contra a censura, vindos inclusive de Redes conhecidas por seu apoio à Ditadura no passado. É um campo dominado por meia dúzia de famílias que controlaram completamente a circulação da informação no país até recentemente, antes da abertura forçada de espaços promovida pela internet. Se o MV Bill é assediado pela Rede Globo e pode negociar com ela de forma digna é porque o Racionais Mc's botou o Sr. Roberto Marinho no lugar dele, lá atrás (com relação ao Rap, é claro...). É por isso que não fizeram do Rap paulista o que fizeram e fazem do Funk carioca.

O Mano Brown, o Racionais Mc's, ou qualquer outro grupo de rap, podem se expor nos grandes meios de comunicação de forma independente, em minha opinião. Desde que não mudem o discurso e a postura.

No ano passado, corri para as bancas de jornais para comprar a Revista Rolling Stone e ler a entrevista com o Brown. "Mano Brown Entre as Novas Idéias e o Velho Radicalismo", dizia a manchete. Muitos decretaram a capitulação: o Racionais Mc's não é mais o mesmo. Eu esperava o pior, mesmo que lá no fundo uma parte de mim não acreditasse, ou não quisesse acreditar... Sinceramente, não vi nada de novo na entrevista. Achei até que o entrevistador foi extremamente respeitoso. Foi uma exposição calculada e precisa, bem melhor que a famosa entrevista do Mano Brown ao Roda Viva para entrevistadores despreparados (exceção somente para a Maria Rita Kehl), onde eu achei que ele se colocou mal diante de algumas questões esdrúxulas. E o Brown que vimos, na Revista, no Roda Viva ou no Fantástico, foi o mesmo de sempre, lógico que com evoluções. Ele fez 40 anos este ano, está mais maduro, passou por transformações como qualquer outro ser humano. Mas não o vejo como um perdedor, como muitos tentam pregar. Pelo contrário. Olhem onde ele chegou. Muitos "produtos enlatados" que picam cartão nos Faustões e Gugus da vida não gozam do mesmo prestígio e respeito que ele.


A Nike, por sua vez, é uma empresa cujo marketing é muito antenado com o que está acontecendo no mundo. Foi na sua associação com a imagem de Michael Jordan, o maior jogador de Basquete de todos os tempos, do esporte mais popular nos EUA, que a empresa cresceu assombrosamente no mundo todo. Depois vieram outros: Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, etc. Se têm uma coisa que está acima do preconceito racial no capitalismo é, sem dúvida, a sede por lucro. Nada mais natural que o interesse da Nike pelo fenômeno Racionais Mc's, cujo ícone maior é Mano Brown. Só não reconhece a importância do Mano Brown no Brasil quem não quer...

A maioria dos jogadores de futebol são politicamente nulos, inclusive o maior deles, o Pelé. Aí, me desculpem, mas sou muito mais o Maradona. Têm atitude, pelo menos. Os brasileiros, quando abrem a boca, falam besteira. Dá pra comparar o Brown com estes caras? Aliás, acreedito sinceramente que o Brown estava se referindo a este processo quando fala de "leões com cabeça de bagre" na letra da sua participação em "Umbabaraúma".


A questão que fica pra mim é a seguinte: a Nike mudará o discurso e o posicionamento político do Racionais Mc's? Veremos no próximo álbum do grupo, em vias de sair... Eu acho muito difícil.

Se o discurso e a postura não vai mudar, bola pra frente, que o resto é mera publicidade gratuita...


Mano Brown não é mais o jovem vibrante e ingênuo que acreditava que mudaria o mundo com sua música. Nem o herói infalível que muitos elegeram no passado como o grande messias do rap, contra a própria vontada dele, que se tornou a maior vítima deste herói. Ele é humano. Sua maior mudança foi ter compreendido melhor este processo. Mas isto não diminui em nada seus feitos. Ele despertou a consciência de raça em milhões de jovens brasileiros de forma como o movimento negro nunca teria conseguido.

Agora, a raiva, a revolta, ainda estão lá. Elas são o motor do rap. Sem elas, o rap não é rap... Só que trabalhadas com uma poética diferente, num discurso renovado. Nós, fãs, podemos voltar a ouvir o "Escolha o Seu Caminho" novamente, ou o "Holocausto Urbano". Eu faço isto sistematicamente. Mas o que marcou o Racionais Mc's historicamente foi a renovação, de show em show, de disco em disco, um nunca igual ao outro. Que assim continue, sempre. Não vi nada que me envergonhe nas letras das últimas composições do Racionais Mc's. Talvez um machismo na letra de "Mulher Elétrica", uma tentativa mal sucedida de acertar as contas históricas com as mulheres. Mas daí a dizer que é uma música comercial... Me poupe. É um G.Funk clássico!


Muito do que dizem à respeito do Racionais Mc's é fruto de mera desinformação daqueles que não conhecem a história do grupo. Seja por parte de militantes que fizeram de Brown o porta voz de seus anseios mais radicais, atribuindo a ele responsabilidades que ele mesmo nunca buscou para si, colocando um discurso na boca dele que nunca foi o dele; seja por parte daqueles que querem promover uma mentira sobre uma guinada comercial, por mero golpe de marketing capitalista. O Racionais Mc's não precisa de uma guinada comercial, esta é a questão. Se eles não se venderam lá atrás, quando eram amadores, porque fariam isto agora que alcançaram a estabilidade financeira e profissional, correndo o risco de se perderem e caírem num ostracismo sem volta, como muitos outros no passado?

E mais, um recado aos conservadores de plantão da elite brasileira que se preocupa com os rumos do hip hop: o rapper que organiza sua Posse e suas atividades em sua quebrada; o DJ que faz seu programa na Rádio Comunitária; o grafiteiro ou a grafiteira que se expressam criticamente em seus trampos nos muros; todos eles continuarão lá, independentemente do que venha a acontecer com o Racionais Mc's. O hip hop já adquiriu esta maturidade.

Segue a matéria do Fantástico:


"Ponta de Lança Africano - Umbabaraúma"
Jorge Ben Jor e Mano Brown
Produção: DJ Zegon (Planet Hemp, N.A.S.A.) e por Daniel Ganjaman (Instituto)
Backing Vocals: Negresko Sis (Anelis Assumpção, Céu e Thalma de Freitas)
Participação: Pupilo (percussionista da Nação Zumbi)

Veja o video na íntegra aqui: YouTube. Vale a pena conferir.

sábado, 15 de maio de 2010

Harlem: Charme, Cultura e Intelectualidade





O Harlem é uma área privilegiada de New York City. Ao contrário dos demais guetos negros da cidade (Bronx, Brooklyn e Queens), o Harlem fica no centro de NY City, na ilha de Manhattan. É um dos poucos lugares onde sobraram áreas verdes na ilha, talvez devido às características de seu terreno. Fica na parte norte da ilha, acima do Central Park. Os primeiros a ocuparem este espaço foram os holandeses, no séc. XIX.


No início do séc. XX o Harlem era um bairro próspero. Suas moradias eram confortáveis, com energia elétrica, aquecimento e gás encanado. Haviam escolas, bibliotecas, metrô, enfim, serviços públicos de qualidade para a época, que faziam das ruas do Harlem lugares vivos, movimentados. Entretanto, não havia poluição, nem barulho, algo incomum no restante da ilha. Um ciclo de altas nos preços dos aluguéis, devido a uma onda de especulação desencadeada por melhorias no transporte público, levou o Harlem a sofrer com uma uma crise imobiliária.


Neste mesmo momento de crise vivida pelo Harlem estava em curso nos EUA um processo de imigração negra. Os descendentes de escravos libertos visavam fugir do sul segregacionista para o norte desenvolvimentista e industrial. A ocupação de prédios degradados abandonados pelos brancos, nos limites das grandes cidades, vai gerar os primeiros cinturões negros, o berço dos primeiros guetos. Estes guetos vão abrigar uma multidão de homens e mulheres negros desassistidos pelo Estado após o fim da escravidão. Mas lá residiam também alguns negros que romperam a barreira social e alcançaram alguma condição econômica melhor. Esta classe média negra não era aceita nos bairros brancos.

HARLEM - Convent Avenue Brownstones por Professor Bop.

A história nos conta que, após uma briga entre dois sócios, donos de um prédio no Harlem, um deles queria levar o outro a falência. Assim, tramou um plano: convidar um negro para administrar sua parte no prédio. O genial empreendedor Philip Payton assumiu o controle e criou a Afro-American Realty Company, iniciando um processo de ocupação negra do Harlem. Ao contrário do que se pensava, a classe média negra, carente de áreas mais nobres onde pudesse fixar residência, mas com poder aquisitivo para custear os aluguéis, começa a ocupar o bairro. Este processo se deu sob forte repressão: artigos em jornais, abaixo assinados, associações, os brancos usaram de todos os métodos possíveis para manterem o controle sobre a área. Inutilmente, é claro. Os negros podiam pagar e a presença negra, a esta altura já uma realidade concreta, era um processo incontornável. Os brancos começam a sair do bairro. Outros brancos, em busca de moradia, preferiam outros bairros étnicos, onde não tivessem de conviver indesejadamente com negros. Não queriam se contaminar por uma cultura, uma moral, uma religião e um comportamento diferente, por parte de um povo "inferior" e "não-civilizado", recém liberto da escravidão.


A história mostra que o povo nova-iorquino é formado pela mistura de diversas origens. Asiáticos, latinos, europeus... Não há uma maioria étnica absoluta, como aconteceu em Boston (irlandeses) ou em Chicago (poloneses). Assim, não houve violência racista, como em outras cidades norte-americanas, como linchamentos, explosão de bombas, pessoas queimadas vivas, ataques da Ku Klux Klan e coisas do gênero. A heterogeneidade impôs ao nova-iorquino a necessidade de conviver "pacificamente". Isto não significa que não houveram manifestações racistas. Muito pelo contrário. Mas era um racismo que não usava de violência física como no resto do país.

JAZZ - Minton's Playhouse Mural, Harlem por Professor Bop.

Logo o Harlem passa a abrigar uma intelectualidade que vai ser a mola propulsora da luta pelos direitos civis nos EUA. Lá formaram-se a NAACP, National Association for the Advancement of Coloured People, em 1908, e a Urban League, em 1911, duas das principais organizações negras dos EUA. Era a meca negra norte-americana, símbolo de prosperidade e uma nova vida para os afro-americanos. A "terra prometida" era a imagem da juventude. Falar do Harlem era falar de Jazz, de cultura e de modernidade. Hoje, após o fim do welfare state (estado de bem estar social) e do implemento das políticas neoliberais, o Harlem perdeu parte de seu charme e é um gueto decadente. No entanto, nada tira por completo o brilho de um bairro que abriga o Apollo, por exemplo, casa que revelou grandes talentos como artista pop Michael Jackson e a cantora Ella Fitzgerald. No Harlem viveram o poeta Langston Hudges, o intelectual W.E.B. Dubois, o pintor Aaron Douglas, os músicos Luckey Roberts e Jimmie Lanceford, entre outros. Artistas como Duke Ellington, Count Basie, Louis Armstrong, Bill "Bojangles" Robinson e Dizzy Gillespie passaram pelas luxuosas Casas de Espetáculo do Harlem.

Obs.: Este texto é um resumo de um tópico de um capítulo de meu TCC que está em andamento.

Fonte:

MUHLSTEIN, Anka. "A Ilha Prometida: A História de Nova Yorque, do Séc. XVII aos Nossos Dias". Tradução: Julio Cast Non Guimarães. São Paulo: Companhia das Letras. 1991.



sexta-feira, 23 de abril de 2010

Rap duBom: Ayo Shani e Eli Efi


Na semana em que muita coisa aconteceu (Mano Brown completou 40 anos e o Rapper Guru faleceu - R.I.P.), um pouco de Rap "dubom" pra aliviar a nossa mente. Seguem duas dicas muito loucas de som em primeira mão: Eli Efi e Ayo Shani. Um mergulho nas raízes negras num tempo em que o Rap Nacional está um pouco distante delas.


O veterano rapper do DMN, Eli Efi, agora morando no Bronx em New York City, lançou uma mixtape que pode ser conferida no seu site (clique aqui). "Propaganda - The Single" é o nome da pancada que saiu no final de 2009. As rimas lembram o bom e velho DMN, grupo que Eli Efi integrou aqui no Brasil e que o revelou nos anos 90. O DMN é o grupo que foi mais a fundo no debate racial em todos os tempos no rap nacional. Muito consciente e ideológico, no bom sentido da expressão. Passaram várias vezes aqui por Campinas, inclusive tiveram intensa participação na construção do Hip Hop em Trânsito, em suas primeiras edições. As letras e produções marcam a influência do Public Enemy. Muito louco ver que o veterano Eli Efi está na ativa. Fiquei feliz também de ver que ele fez opção de cantar em português. Mantendo as raízes sempre. Na página do Eli Efi é possível conferir uma faixa bônus, "Marcha Soldado", e um remix de "Propaganda". Alta qualidade.


Outra dica valiosa é o site do Ayo Shani (clique aqui para conferir na seção "galeria"). O rapper de São Paulo, que têm um pezinho em Campinas também, disponibilizou uma versão não oficial de "Sankofa". A música usa referências da capoeira em sua produção. Ouvi recentemente na Casa de Cultura Tainã, no próprio local onde foi produzida. No site você confere também, além de uma versão remix de "Sankofa", um trampo do Guerreiros Periféricos, grupo de Shani: "Eternamente". Muito louco o trampo, vale a pena ouvir.

domingo, 14 de março de 2010

DEMOcratas Contra as Cotas...



Eles eram o ARENA (Aliança Renovadora Nacional), o partido que dava sustentação política à Ditadura Militar. Depois, formaram o PDS (do Maluf, etc.). Depois, numa cisão, criaram o PFL e foram base de sustentação do PSDB em todas as falcatruas que aprontaram com o país (como as privatizações...). Depois, como um bandido que muda seu nome para se esconder seu passado da polícia, se tornaram o DEM (Democratas). O DEM reúne o que há de pior na política brasileira: os ruralistas, velhos coronéis da política, matadores de Sem-Terra. O senador DEMóstenes Torres expressou bem o pensamento desta escória política: disse esta semana que os estupros cometidos contra as negras escravas nas senzalas, nossas antepassadas, aconteceu com a "conivência" e "permissão" delas. Disse também que o tráfico negreiro é "responsabilidade" dos negros, pois a África se "desenvolveu economicamente" com ele". O DEM é contra a reserva de vagas em Universidades Federais, debate que vêm sendo travado no Supremo Tribunal Federal. Roberta Kauffmann, advogada dos DEMOcratas, foi orientada pelo ministro Gilmar Mendes, em seu mestrado sobre políticas afirmativas nas Universidades brasileiras. Ou seja, uma ex-pupila do supremo senhor do STF.

Pense bem antes de votar nas próximas eleições...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A Verdade sobre os Piratas da Somália




Sabemos que os conflitos étnicos que se espalham pela África são um legado do período colonial. São consequências dos saques das riquezas, dos sequestros de vidas humanas para abastecer o sistema escravocrata, da maneira como as grandes potências européias dividiram o continente na régua.

A Somália é um dos únicos países africanos onde fala-se uma só língua e cultua-se uma só religião. Se o problema da África são os conflitos entre tribos "não-civilizadas", como tentam fazer crer os meios de comunicação de massa, porque então a Somália não possui um governo estabelecido a praticamente 20 anos?

A Quem Interessa o Caos na Somália?

As grandes potências mundiais, em particular os Estados Unidos, possuem interesse nas reservas de petróleo da Somália. Um governo independente poderia abrir negociações com países como Rússia, China ou Índia (geograficamente, muito mais próximos...). Por isso, o caos político que reina na Somália é um objetivo, até que um governo subserviente seja imposto pelos norte americanos para consolidar seus interesses econômicos imperialistas.

Os barcos asiáticos e europeus se aproveitam do caos político e pescam na costa da Somália sem licença, de forma predatória, tirando de muitos uma das únicas opções de luta pela sobrevivência. Empresas européias encontraram nesta mesma costa um bom lugar para desovar seus resíduos nucleares. Estes resíduos nucleares e dejetos tóxicos foram empurrados pelo Tsunami costa adentro, provocando um desastre ambiental. Moradores da costa têm sofrido de enfermidades desconhecidas desde então. Os pescadores, com suas técnicas rudimentares, após sucumbir diante da pesca predatória, decidiram-se pela resistência: estes são os piratas. Mas isto o Fantástico não mostrou no domingo passado. A Rede Globo têm que exercer o seu papel de defender as grandes potências, omitindo e distorcendo informações...

Mais do que tudo isto, a Somália detêm a maior costa africana (3.300 Km) e situa-se numa região estratégica para quem quer impedir o desenvolvimento de potências como a China e a Índia. O Oceano Índico é palco para o trânsito de 70% dos produtos petrolíficos mundiais. Com o pretexto de combater a pirataria, a OTAN, a serviço dos interesses norte americanos e de outras potências, mantêem um arsenal militar na área. Quem são os verdadeiros piratas se são os europeus que ingressam em águas dos mares da Somália, desrespeitando sua soberania, para explorar impunemente suas riquezas?

Porque a imprensa internacional não denunciou os "barris da morte", dejetos tóxicos que as empresas européias soltaram nos mares da Somália e mataram centenas? Milhares de toneladas de resíduos radioativos foram despejadas impunemente, sem que os grandes meios de comunicação se levantassem.

Historicamente, existem teses sobre os piratas que divergem do pensamento hegemônico sobre o tema. Há quem defenda que os piratas nada mais eram do que marinheiros rebeldes que se insurgiam contra a tirania de seus capitães...

Fonte de Pesquisa: Rebelión

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Andrade: 1º Negro "Assumido" a ser Campeão Brasileiro como Técnico



De forma absolutamente discreta, Andrade conquistou seu 6º título de campeão brasileiro. Ele foi campeão 4 vezes com o Flamengo (1980, 1982, 1983 e 1987) e 1 vez pelo Vasco em 1989. Todos como jogador. Agora, Andrade torna-se o 1º treinador assumidamente negro (recuso-me a aceitar que Luxemburgo seja branco, ou qualquer outra coisa que seja...) a se sagrar campeão brasileiro. O mais importante, no fato, é a postura do técnico, muito serena, como sempre: Andrade já tinha ressaltado, em entrevistas, a dificuldade de um negro ocupar um cargo de treinador numa das principais equipes brasileiras. Vivemos num país que demorou muito a admitir os negros enquanto jogadores - até o Pelé sofreu com a discriminação, o que não aceitou ainda nos espaços da comissão técnica, salvo exceção de massagistas e roupeiros....

Em nosso país, a não muito tempo atrás, entendia-se, de forma equivocada (como a própria Ciência provou...), que o branco era a forma mais evoluída do homem, enquanto o negro, a mais atrasada, inclusive estando próximo ao macaco numa excala evolutiva. Um absurdo... Historicamente, como forma de justificar a escravidão, pregava-se que o negro possuía aptidão física mais desenvolvida que o branco, o que o permitia trabalhar na "lida" com maior desempenho e legitimava sua posição de escravo. O branco, por sua vez, possuiria dotes intelectuais mais avançados em relação ao negro. Esta visão, preconceituosa, ainda possui raízes fortes em nossa cultura, mesmo nos dias atuais, em pleno séc. XXI. Prova disto é a dificuldade de aceitação dos negros em papéis de direção, onde o trabalho possui um viés mais intelectualisado, como no caso dos treinadores. Ano passado o Boston Celtics foi campeão da NBA com um treinador negro: Doc Rivers. Fato raro também. Este ano, foi Andrade que igualou o feito aqui no Brasil.

Interessante notar a dificuldade que a mídia têm de absorver o fato com naturalidade. A Rede Globo e seu sistema (SporTV's, etc.), como baluarte do Brasil onde "não somos racistas", fica sempre em situação desconfortável num momento destes. Para as grandes redes de comunicação, Andrade foi vitorioso pela sua humildade. Nunca por qualquer característica que demonstre inteligência. Incrível acreditarmos que um técnico de futebol possa ganhar um título tão disputado como o da Série A do brasileiro, dirigindo uma equipe do futebol carioca financeiramente falido, recuperando velhos medalhões, mesclados com ilustres desconhecidos, com apenas humildade, sem nenhum mérito tático ou estratégico... Acredite quem quiser...

Parabéns ao Andrade e que ele possa estar abrindo as portas para outros.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Robin Wiliams e o Estereótipo do Brasil

Ontem, em uma entrevista ao talk show de David Letterman - um entrevistador norte-americano de quem o Jô Soares copiou seu programa - o ator Robin Williams fez uma piada infeliz, que mostra bem o estereótipo de nosso país lá fora. Ele brincou dizendo que enquanto os EUA tinham mandado Michele Obama e Oprah Winfrey para a disputa que definiu a sede das Olimpíadas, o Brasil mandou 50 stripper's e 1 kg de cocaína. Engraçado é que, o próprio país dele (os EUA), é o maior consumidor de drogas do mundo, e que o Brasil é apenas uma porta de saída daquilo que é produzido em outros paíse da América Latina. Aliás, os próprios norte-americanos são clientes assíduos e colaboradores do turismo sexual brasileiro: afinal, o turismo sexual existe porque existem pessoas dispostas a pagar por ele... Por fim, é uma grande contradição que uma pessoa que fez tratamentos e terapias em função do vício em cocaína faça uma brincadeira preconceituosa como esta...
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É justamente no humor, terreno do politicamente incorreto, que muitos deixam transparecer seus preconceitos, de forma que não o faríam em outro momento de seriedade, onde as pessoas se policiam.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Porque Consciência Negra?



Todo dia 20 de novembro o debate surge novamente: porque Consciência Negra? Porque não um dia para a Consciência Branca?

O brasileiro, visto como um povo que adora um feriado, questiona a existência do feriado de 20 de novembro, nas Cidades e Estados onde ele existe... Justamente o 20 de Novembro, o Dia da Consciência Negra. Aqui em Campinas, onde hoje é feriado, por uma Lei do então Vereador Sebastião Arcanjo do PT (o Tiãozinho), o comércio não para, como é de se esperar do comércio, um dos setores do mercado onde as piores relações de trabalho acontecem, onde os direitos trabalhistas são mais desrespeitados. O que é impressionante é ver que muitos explorados, trabalhadores do Comércio, "alienados" pelo sistema, se colocam como porta-vozes de seus patrões e também são contra o feriado - embora gostem de todos os outros...

Precisamos entender, em primeiro lugar, que o 20 de Novembro é o dia da imortalidade de Zumbi, o líder de Palmares, que a aproximadamente 309 anos foi assassinado, e que é um herói nacional que deve ser reconhecido por todos os brasileiros com orgulho, por seu exemplo de luta pela igualdade.

Por outro lado, mesmo após mais de 1 século da abolição, as estatísticas mostram que os negros são minoria absoluta nas Universidades, ganham os piores salários, são a maioria entre os desempregados, são as maiores vítimas da violência policial (mesmo aqueles que não cometeram crimes...), entre outros dados. A liberdade formal não significou a conquista da cidadania, pois o negro continuou nas fazendas, em condições iguais ou piores, ou foi parar nos cortiços e depois nas favelas, sem que o Estado intercedece por eles.

Durante muito tempo, os negros, por questões de baixa auto-estima (por não se reconhecerem nos livros didáticos, na TV, nos cargos de direção e outros espaços de poder) ou de desconhecimento da sua própria História (com H maiúsculo mesmo...), pela força da ideologia racista de uma sociedade que discrimina sem assumir seu preconceito, se auto-atribuiu a culpa pelas mazelas que vive. O recado do movimento negro à sociedade, quando fala de "Consciência Negra", é o de que os negros devem conhecer sua própria História, para que, livres de manipulações ideológicas, possam construir uma sociedade mais justa, brigando pelo seu espaço. Não se trata de racismo ao contrário, como muitos teimam em dizer. O racismo não foi criado pelos negros, muito pelo contrário, somos a maior vítima dele. Nossa intenção é justamente extinguir o racismo. Para realizar esta tarefa, precisamos viver numa sociedade mais democrática e que não tenha medo de repensar suas bases, inclusive revendo privilégios, para que eles não mais existam...

O Dia da Consciência Negra é um dia de reflexão sobre a atual situação do negro na sociedade brasileira. Um dia de apontar desigualdades, injustiças e contradições. Nem todos vão gostar deste processo - principalmente os privilegiados por este sistema excludente, ainda que não admitam.

Hoje eu vi, num programa da TV da Cultura, uma das apresentadoras (branca, assim como os outros dois apresentadores...), dizer que conversou com as "meninas" do camarim (provavelmente pessoas da limpeza ou da maquiagem...) e que as mesmas afirmaram que são favoráveis a comemorar Zumbi como herói nacional, mas que não concordam com a idéia de Consciência Negra. Em seguida, a apresentadora diz que concorda com elas... Que irônico: os apresentadores usaram os negros que trabalham na emissora para legitimar suas idéias, equivocadas na minha opinião. Justamente aqueles que estão atrás das câmeras e somente apareceram para legitimar a visão daqueles que estão na frente das câmeras, monopolizando a palavra. Os negros, por sua vez, mostraram que desconhecem sua História, ao servir de bucha de canhão para o argumento dos apresentadores. É justamente por isso que queremos a Consciência Negra: para que os negros se coloquem diante dos brancos em condição de lutarem por seu espaço (em oportunidades iguais e democráticas), apontando a contradição de quem está a mais de 500 anos "atrás" dos brancos, escondidos nos "camarins" da vida. Queremos estar na frente das câmeras, dividindo espaço com os brancos, em condições iguais, escrevendo nossa própria História, através de nosso protagonismo. É por isso que queremos a Consciência Negra. E é por isso que muitos temem esta condição: à eles interessa apenas o negro subserviente, alienado, submisso e conformado... Um inconsciente.

Não queremos oprimir ninguém. Queremos, pelo contrário, superar a nossa posição de oprimidos. Este processo se dará através de algum constrangimento, necessário neste momento. Todos aqueles que abominam a opressão, independente se negros ou brancos, que nos acompanhem.

Viva Zumbi! Viva a Consciência Negra!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Microsoft Muda Raça de Ator em Foto



A empresa Microsoft alterou um anúncio publicado na Polônia. A propaganda, que já havia sido publicada nos Estados Unidos, trazia um negro em uma reunião de executivos. Na propaganda publicada na Polônia foi implantada uma cabeça de uma pessoa branca. Detalhe: o autor da "proeza" se esqueceu de retirar também a mão negra do ator, que acabou ficando. Coisas do Photoshop.

A justificativa da vez é que um negro não refletiria a população local. Mas aí eu pergunto: e o oriental, por que ficou?

A Microsoft retirou o anúncio do ar e está investigando o responsável. Pediram desculpas publicamente.

Tradução da frase: "Dando poder a sua gente com os instrumentos de TI de que precisam"


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Capoeira Legends


Uma produtora brasileira de games (Donsoft, clique aqui) anunciou o lançamento do jogo para PC's "Capoeira Legends: Path to Freedom" (clique aqui para ver o site). A capoeira já havia sido explorada em games gringos e em filmes - o interesse pela capoeira lá fora tem crescido... No entanto, pelo que tenho conhecimento, é a primeira vez que um jogo específico com este tema vêm a público.

Gumga, do Mocambo das Estrelas, é o protagonista. O ambiente é o Rio de Janeiro de 1828. O jogo teve consultoria de Mestre Vuê, da Escola de Capoeira "Água de Beber". O projeto levou 6 anos para sua conclusão, entre pesquisas e a realização tecnológica.



O game promete repercutir. De início, é possível perceber reações diversas, com aprovações e desaprovações do público. Considerando o cenário dos jogos, e o que a criançada tem jogado ultimamente, uma iniciativa como esta pode significar um avanço, até por colocá-las em contato com uma cultura negra brasileira, com a nossa história. Obviamente, pelo pioneirismo e coragem, haverão limitações técnicas, por outro lado. Fora as limitações técnicas, o restante das críticas que eu li se devem muito mais à falta de cultura dos críticos do que à defeitos do jogo...

Toda vez que há uma exploração comercial de temas que envolvem a resistência e a luta social existe o risco de descaracterização. Não é o que me parece, ao menos num primeiro olhar. Tive a impressão inicial de que a história toda foi tratada com certa seriedade, dentro dos limites do possível.

Pra quem não está acostumado com games que envolvem violência, os vídeos disponíveis no site parecem fortes. Entretanto, perto dos jogos comercializados na atualidade, é uma brincadeira de criança...

Não sou muito de jogar, uso o PC pra outros fins... Mas, qualquer militante do movimento negro que tomar contato com o jogo vai sentir no fundo uma vontade de sair "capotando" capitães do mato e feitores por aí...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Novos Tempos?

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Lewis Hamilton: campeão mundial de Fórmula 1
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Derrick Leon Green: vocalista do Sepultura
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Venus e Serena Williams: estão entre as 6 primeiras do ranking do Tênis
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Tiger Woods: considerado o melhor no Golf
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Barack Obama: Presidente dos E.U.A.
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Tudo isto, por si só, não significa muita coisa não...
Não é uma revolução...
Não garante as mudanças necessárias, que ainda estão por fazer...
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Mas, que é interessante, no mínimo, isto é...
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Alguém que adormecesse há uns 15 ou 20 anos atrás e acordasse agora iria se assustar...
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segunda-feira, 7 de julho de 2008


A União Africana está sendo pressionada pela ONU, pelos Estados Unidos e pela Europa, para que rejeite a reeleição de Mugabe. Os Estados Unidos redigiram um projeto de resolução para o Conselho de Segurança da ONU prevendo sanções contra o Zimbabwe, incluindo um embargo às armas com destino ao país. As Nações Unidas consideraram que o escrutínio não teve legitimidade e os observadores da União Africana dizem que a votação não esteve conforme os níveis de democracia exigidos. A saída para a crise no Zimbabwe ocupa os trabalhos da União Africana, na estância egípcia de Sharm el-Sheik. De certa forma, era o que muitos torciam para que acontecesse: uma pressão internacional contra Mugabe.

Não tenho procuração para defendê-lo, nem tampouco vou bancar o “advogado do diabo” aqui, até porque tenho poucas informações confiáveis sobre o que realmente acontece no país. Acho, realmente, muito improvável que o Mugabe seja totalmente inocente das acusações que pesam sobre ele. Mas recebi um e-mail esses dias que confirmou algumas suspeitas que eu já havia manifestado aqui no Blog (leia aqui mesmo, abaixo do post do Xzibit)). O Zimbabwe possui 11 milhões de habitantes, 73% deles na zona rural. Apenas 4.500 proprietários brancos possuem 80% da terra cultivável, cerca de 7 milhões e meio de hectares. Milhões de negros camponeses se amontoam nas terras mais secas e de píor qualidade.

Segundo consta em artigo de Andreu Martí (leia na íntegra aqui), o governo Mugabe havia conseguido 96% de alfabetização, algo raro na África, até antes do bloqueio econômico e a crise de 1997. O Zimbabwe, como é comum na África, é um país rico em minerais: cromo, níquel, ouro, cobre, amianto, ferro, entre outros. As empresas que exploram esses minérios são norte-americanas. A Fundação Westminster para a Democracia, que financia a oposição, têm por trás a Grã-Bretanha (Ingleses...), os antigos colonizadores.
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O boicote internacional vai fazer retroceder os avanços sociais (pequenos, mas importantes) e nivelar, em termos de miséria, o Zimbabwe e o restante do continente. Pelos acordos feitos em 1980, a Grã-Bretanha indenizaria seus fazendeiros brancos no Zimbabwe para que suas terras passassem para mãos de campesinos negros. Com o pretexto de que “as terras iriam parar nas mãos de amigos de Mugabe”, este processo foi interrompido ainda nos anos 80.

A violência é artifício utilizado de ambos os lados. Há notícias de partidários de Mugabe que também foram assassinados.

A Igreja Católica, que também possui seus interesses, e participou de todo o processo colonial de pilhagem da África, também está contra Mugabe.

Se é verdade que qualquer acusação de ataque a direitos humanos deve ser investigada e, caso comprovada, combatida, também é verdade que existe o interesse, por parte das grandes potências, de dar continuidade ao saque de riquezas minerais e agrícolas, ainda que isto custe a morte de milhões de pessoas. A imprensa burguesa ocidental, muitas vezes, é um instrumento de defesa dos interesses imperialistas neo-coloniais das grandes potências...

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Eleições Polêmicas no Zimbabwe

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Morgan Tsvangirai, candidato do MDC (Movimento pela Mudança Democrática) à presidência da República do Zimbábwe, desistiu de disputar as eleições e está refugiado na embaixada da Holanda de Harare. Após haver ganho o primeiro turno numa leição "suspeita" devido a possibilidades de fraudes, ele afirma que não existem condições seguras para a realização de uma eleição idônea e transparente. Robert Mugabe, atual presidente, está no poder há 28 anos e afirmou que "somente Deus, que o colocou lá, poderá tirá-lo do poder". Tsvangirai afirma que mais de 70 (no mínimo) de seus simpatizantes foram mortos e centenas intimidados, proibidos de se reunirem ou agredidos fisicamente. O presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, um dos mais próximos aliados de Mugabe, pediu a ele que interrompa a onda de violência. Mugabe, de sua parte, acusa o MDC de práticas violentas. Difícil acreditar que Mugabe não tenha culpa no cartório. Parece evidente. Mas que ele coloca interesses imperialistas, em especial britânicos, em cheque, isto também é verdade. O que coloca em dúvida muitas informações que recebemos via imprensa burguesa mundial.
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Forest Whitaker representou no cinema, tempos atrás, o também ditador Idi Amim. Figura polêmica em Uganda, o ditador foi responsável por um genocídio de mais de 100 mil pessoas. Alimentava seus crocodilos com suas vítimas e expulsou 40 mil pessoas, entre indianos e paquistaneses, de Uganda. O filme "O Último Rei da Escócia" mostra uma parte de suas peripécias. Mas deixa também os interesses ingleses por lá sob suspeita óbvia.
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A imprensa internacional, em especial, tem acompanhado estes acontecimentos na África. O que eles não dizem é que isto nada mais é do que uma herança do colonialismo europeu, que dividiu o continente na régua, desrespeitando limites geográficos e etnias diversas, se apropriou das riquezas do território africano e sequestrou milhões de negros que tiveram como destino a escravidão colonial. Um continente pilhado e massacrado por europeus, que agora se "chocam" com os resultados das barbaridades que promoveram por lá até pouco mais da metade do século passado...
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