sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Ruy Castro faz Mal à Saúde

"Uma casa de hip hop na Lapa equivale a implantar um McDonald’s na Albânia. Tenho fé em que a secretária Jandira, albanesa de coração, não levará adiante esse absurdo. Além disso, como médica, ela sabe que o hip hop faz mal à saúde."

Fala de Ruy Castro, comentando notícia sobre a possível criação de uma Casa do Hip Hop na Lapa, tradicional reduto do Samba carioca.

“Não gosto de hip hop… Ou melhor, não tenho ouvido, está muito chato. Mas adoro cultura de rua. Agora, se essa casa for para receber caras com camisa de time de basquete americano e cordão de ouro tô fora. Hoje existe hip hop árabe, indiano, e cada um tem que se adaptar à sua cultura. O Brasil bomba na música, então por que ficar imitando os gringos?”

Marcelo Yuka, baterista da banda F.U.R.T.O. (ex-Rappa), sobre o mesmo assunto.

O escritor de biografias Ruy Castro expressou recentemente, sem nenhum pudor, como a intelectualidade brasileira encherga o hip hop. Jogou o movimento na vala comum dos enlatados norte-americanos, ridicularizando-o.

O hip hop é uma cultura que veio de baixo, feita por excluídos (negros e latinos), cujas origens mais longínquas remontam à África (alguma semelhança com o samba cara-pálida?) e a Jamaica. A roda de break, por exemplo: será mera coincidência que a capoeira e o samba também lancem mão deste recurso? O rap: alguma semelhança com o repente ou a embolada, enquanto canto falado? Se o problema é a origem, tanto Ruy quanto Marcelo estão desinformados.

O que os militantes do hip hop estão fazendo hoje no Brasil é equivalente ao que sambistas fizeram outrora: resistindo e verbalizando um protesto através da música. Da mesma forma que existem sambistas de raiz produzindo bom samba no país, nem todo mundo no rap é um Eminem da vida. Aliás, a maior contribuição do hip hop brasileiro foi a prevalência da postura militante em detrimento da adesão norte-americana ao mainstream. Mesmo entre os grupos mais populares. Mais importante do que qualquer "pureza" estética (isso é possível?) livre de influências externas são os valores.

Aliás, o reggae da banda O Rappa, cujo principal fundador é justamente o Marcelo, surgiu onde mesmo? No Rio de Janeiro por acaso?

A estética do hip hop é a expressão de valores, de identidade. Porque os hip hoper's usam camisas de times de basquete (ou de futebol, o que é muito mais comum no Brasil) e não terno e gravata?

Assim como nem tudo que vêm de fora deve ser jogado na lata do lixo sem qualquer reflexão ou critério, nem tudo que é produzido aqui dentro deve ser necessariamente valorizado. Nossa cultura é rica o bastante para não ser descaracterizada pela cultura "externa", embora nunca esteja livre de influências, ainda mais na era da internet. Isto não necessariamente é ruim... A questão é como assimilamos estas influências externas.

O problema é que, na ânsia por garantir uma reserva de mercado, aqueles que posam de defensores da cultura brasileira, acabam por defenderem interesses extremamente reacionários. Uma pena, ainda mais para uma pessoa com a história do Marcelo Yuka.

O que faz mal à saúde no Brasil é a desinformação...

Leia mais aqui.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Humor: Racismo no Brasil

Em tempos de debate intenso sobre a lei de cotas, esta é minha solicita homenagem ao Ali Kamel, o "superpoderoso" manda-chuva do jornalismo da Globo, que é contra as cotas porque elas "vão criar o racismo no Brasil". (!)

Extraído de um grande blog que eu acompanho religiosamente: o Botequim do Bruno (clique aqui).

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Pichação na Bienal

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No dia 26 de outubro, mais de 40 pichadores (se escreve com “ch” mesmo, embora os pichadores grafem com “x”, por opção) atacaram o “pavilhão vazio” da 28ª Bienal Internacional de São Paulo. A jovem de 23 anos Caroline Pivetta da Mota está presa desde então e pode ficar na Penitenciária Feminina de Santana até 2010 – ironicamente, o ano da realização da próxima Bienal. Ela é integrante da gangue Susto's (clique aqui).

O caso repercutiu muito desde então. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, chegou a fazer um apelo ao governador José Serra para que libere a garota. Segundo o Ministro, "é um escândalo uma pessoa ficar presa esse tempo todo porque fez uma intervenção gráfica".

O pixo é um vandalismo. Todos sabem disso (inclusive, e principalmente, os pichadores...). Mas a repressão, por si só, não resolverá o problema. E não dá pra colocar no mesmo nível de outros crimes.

Quando o “artista plástico” Maurício Ianês vagou “nu” pela Bienal de São Paulo, no saguão do 2º andar, foi aplaudido pelo “mainstream da arte”. Lá ele ficou, sobrevivendo de doações dos visitantes. Mas, e se o mesmo Maurício fosse um desconhecido e tivesse “invadido” o saguão “pelado” (e não “nu”), o que aconteceria? Será que a mesma organização do evento teria chamado a polícia?

O que faz da arte, verdadeiramente, ARTE? Um carimbo “oficial”? O reconhecimento por parte da elite? Uma autenticação dada por meia dúzia de engomadinhos esnobes?
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O mundo da arte (o status quo...) é elitista e excludente. O poder público, em geral, nada mais faz do que legitimar esta lógica excludente. Daí que chega a ser uma afronta deixar um andar vazio na Bienal. É um deboche sobre uma multidão de excluídos. É cuspir na cara daqueles que ficaram de fora... Natural que haja uma reação. Ainda bem!

Não quero aqui assumir a posição de advogado do diabo. Muito menos engrossar o coro reacionário e conservador da imprensa e da elite econômica brasileira. Acho que o pixo é muito mais um sintoma do que uma doença de nossa sociedade moderna. Exatamente por isso que todas as iniciativas do poder público para “combatê-lo” ou “preveni-lo” fracassam: encaram o pichador como uma doença. E daí, tudo que fazem acaba por incentivar mais do que inibir: apagam incêndio com gasolina...

O maior mérito da pichação foi a repercussão. A iniciativa gerou um debate intenso e profundo sobre o caráter da Bienal, o papel da arte, etc.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Emeritus - Scarface

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Se você é daqueles que chapa só de ouvir vocal do mestre Scarface, taí um lançamento indispensável. Acaba de sair do forno...
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Se você é mais crítico, vale o download mesmo assim! Mas não se assuste: este CD veio bem diferente...
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Para quem quer ouvir o velho e bom Scarface dentro do estilo que o consagrou, quatro faixas vão bem nesta linha. "Still Here", a melhor do CD, já é um clássico na minha opinião! À altura dos maiores momentos do rapper de South Side. O backing vocal me lembra Lauryn Hill nos seus melhores momentos. Se a referência não está errada, o nome dela é Shateish. A faixa título, "Emeritus", lembra o Geto Boyz, bem pesadona também. "High Note" têm teclados que lembram Kool G Rap, também ficou legal. "We Need You", tensa, sinistra, bem a cara do Scarface dos últimos tempos, pesadíssima também.
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Algumas faixas fogem um pouco a linha do Scarface. Estão pesadas também, mas, ao mesmo tempo, bem "Club", até meio dançantes. "High Powered" e "Forgot About Me", as faixas 2 e 3, quase criam uma impressão diferente sobre o CD. Estão bem na linha do último da dupla UGK e do último do Bun B também. Aliás, Bun B está na faixa 2. "Redemption Song" (nada a ver com o clássico do Bob Marley) segue esta linha também... Bom som.
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"Still Here" ficou à pampa, com um estilo que é uma sequência dos últimos trabalhos de Mr. Scarface. "Soldier Story", melancólica, lembra algo de "I Never See a Man Die", com um vocal que lembra o Nate Dogg, porém, como eu não vi os créditos completos, não tenho certeza para afirmar se é o cara. Outra melancólica é "Unexpected", legal também...
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Não se assuste. Quando eu digo dançante, não digo comédia, nem mainstream, digo estilo "Club", o que é diferente... "Club" é a melhor definição que me vêm a mente. É um caminho que o Dirty Rap adotou ultimamente. Quem curtiu o UGK e BUN B mais recentes vai curtir este Play do Scarface. Porém, os mais puristas e exigentes talvez estranhem um pouco...
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Na minha opinião, vale a pena, com certeza absoluta. O álbum está à altura do Scarface e de tudo que ele já desenvolveu. Não sai do estilo do rap South Side, mesmo nas pegadas mais dançantes. E, no geral, pesadíssimo para os padrões atuais.
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Baixe no Lôko do Serrado (clique aqui)
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Novos Tempos?

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Lewis Hamilton: campeão mundial de Fórmula 1
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Derrick Leon Green: vocalista do Sepultura
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Venus e Serena Williams: estão entre as 6 primeiras do ranking do Tênis
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Tiger Woods: considerado o melhor no Golf
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Barack Obama: Presidente dos E.U.A.
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Tudo isto, por si só, não significa muita coisa não...
Não é uma revolução...
Não garante as mudanças necessárias, que ainda estão por fazer...
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Mas, que é interessante, no mínimo, isto é...
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Alguém que adormecesse há uns 15 ou 20 anos atrás e acordasse agora iria se assustar...
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domingo, 2 de novembro de 2008

NBA 2008-2009

Começou!!!


Na última terça-feira começou a temporada 2008-2009 da NBA. Esta semana foi boa para os brasileiros. Leandrinho marcou 18 pontos em seu primeiro jogo (27 min.) contra o Spurs, e seu time venceu por 103 a 98. Varejão pegou 9 rebotes, marcou 9 pontos e recuperou 3 bolas contra o Celtics, porém não evitou a derrota de seu Cleveland. Nenê, surpreendentemente, após seu time bater o Clipper por 113 a 103, marcou 22 e pegou 11 rebotes em 35 minutos de jogo. Nenê, aliás, vai ter mais tempo de quadra após o Nugget's ter negociado o titular Camby. É a hora da verdade, como titular absoluto.
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Varejão, que foi elogiado pela boa forma, também ainda têm o que provar na NBA. E Leandrinho, a maior esperança brasileira, que viu seu basquete cair de rendimento após a premiação da temporada retrasada, como melhor 6º homem? Este terá de se re-adaptar ao novo Phoenix Suns, que terá um jogo mais cadenciado, diferente da velocidade de antes que privilegiava o brasileiro. Cabe a ele reafirmar o seu espaço.